segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Problema não é com o público, mas quem faz os filmes





Após leitura de artigo sobre a ocupação do filme brasileiro nas salas de cinema (Quando o brasileiro descobrirá o cinema nacional?) fiquei indignado ao constatar um movimento de crítica vazia ao problema de público dos nossos filmes, da distribuição e exibição, tentando relacioná-las com a forma mais usual de captação de recursos que dispomos (nunca mencionam o crescimento do Fundo Setorial do Audiovisual, que prevê retorno de parte do que foi investido), falta de ação do governo federal, alienação do povo com produtos “globais”, etc. Nenhum deles toca no ponto crucial: a maioria dos filmes feitos no Brasil não são pensados como produto de Comunicação de Massa, e sim como uma espécie de desabafo, de uma manifestação particular de uma pessoa sobre neuroses e recalques não muito claras nem mesmo para tais diretores de cinema, naquilo que se convencionou chamar “expressão do eu interior” (risos), mas que tambem é conhecida como “Cinema de autor” no intuito de adornar a excrescência, e que é largamente ridicularizado em alguns círculos quando se usa a alcunha “Filme de Arte” (+ risos).

Cinema é comunicação de massa. Como tal fazer um filme é ato de contar uma historia para um número significativo de pessoas, preferencialmente para milhões, que entendam do que se trata e no qual se predisponha a ficar umas 2 horas sentados diante de um discurso indireto, sejam eles com recursos técnicos apurados ou não, tendo em vista que efeitos especiais nunca serão garantia de sucesso do filme, não importa se esse for de 1, 2 ou 3 dimensões.

Não é problema da captação de recursos, apesar dessa estar saindo do dinheiro a fundo perdido concedido com critérios duvidosos para o retornável (como é o mecanismo do FSA gerido pela ANCINE). Não é problema do governo, apesar desse ter discutido, aprovado e sancionado a lei 12.485 que obriga os canais de TV Paga a exibir conteúdos nacionais de produtoras independentes, fomentando um mercado que já vem gerando escassez de mão-de-obra especializada no meio audiovisual. Não é apenas uma questão de falta de sala de cinema suficiente pra exibir o conteúdo nacional, se fosse assim as cerca de 5 mil salas no México garantiria um cinema pujante e reconhecido entre os locais, e não é isso o que acontece pois lá também Hollywood deita e rola.

O grande problema é saber contar a historia certa para o público exato. E isso não está restrito às comédias, pode ser o filão dos filmes espirituais, a ação policial dos Tropa de Elite, sutilezas como “O Palhaço”, comedias românticas com pitadas de erotismo tão bem explorada pela Globo Filmes, e até mesmo aqueles que são chamados de “Filme de Arte”, como é o caso de “O Som ao Redor”, um filme regional, com sotaque carregado, sem nenhuma estrela “global”, mas que está em cartaz a mais de 1 mês em parcas salas, que vem tendo uma ocupação altíssima (com público significativo em torno de 100 mil ingressos vendidos) e que não dispõe de nenhuma campanha agressiva de marketing, algo tão reclamado pela nossa “intelligentsia” crítica para a falta de público do cinema tupiniquim.

Tenho severas críticas ao “O Som ao Redor”, mas verdade seja dita: o tema e o desenrolar da trama está intimamente relacionado a maior parte dos brasileiros que vivem nos centros urbanos de nossa contemporaneidade, e nisso há identificação, há no mínimo respeito a um filme que a mercê da falta de uma narrativa que provoque emoções pra alem de elucubrações sonoras, desperta na audiência o reconhecimento ao medo comum de se viver nas metrópoles de nosso país. A mesma identificação no qual pode ter ocorrido acidentalmente no filme do Kleber Mendonça, não é sequer buscada pela maioria dos nossos realizadores cinematográficos, o que se pode comprovar pela grande produção de filmes por ano (uns 80 em media a pelo menos uma década) e a baixa audiência dos mesmos. É esse o ponto, e não problemas com a origem dos recursos, falta de sala, falta de marketing e muito menos o público, pois esse é rei.

 

MINHA CRÍTICA NOS COMENTÁRIOS AO ARTGO MENCIONADO

 “Sempre a mesma historia nesses artigos metidos a sermões da montanha, cheios de crítica ao governo que não fez isso nem aquilo. Tô cansado dessa ladainha, e pior é ver sendo reproduzida aqui nesse que pra mim é um espaço-nobre. Ora pombas! o brasileiro não vai descobrir nada, ele irá ver filme - preferencialmente na sua língua, quando esse lhe disse alguma coisa, que mexa em seus sentimentos e que lhe envolva, ou seja: filmes com uma boa historia, relacionado a sua realidade - seja a pragmática (Tropa de Elite) ou a subjetiva (filmes espíritas/religiosos). Outro dia apareceu por aqui um artigo rastaquera tentando nos convencer que o problema do cinema brasileira era o alto custo da câmara fotográfica. Putz, até hoje me arrependo de ter dado o trabalho de ler. Agora mais esse que alem de ser uma porção de lamentos sob dados concretos do crescimento da produção e do público de cinema no Brasil, vem com essa questão estapafúrdia do quando um povo irá descobrir sua cinematografia... blá blá blá!... O público sempre irá vê aquilo que lhe toca. O maior problema do cinema brasileiro continua sendo a distância de seus realizadores (nem sempre produtores que entendem do negócio CINEMA) para com o público. E pode se agravar pois a demanda irá aumentar com o VALE-CULTURA e aí o chorôrô será ainda mais intenso e apelativo do tipo: "Culpa da dilma, que usa vermelho e atrapalha a mente dos diretores de fotografia brasileiro". Putz!”


©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor


Follow me Fan page on Facebook Youtube Channel

domingo, 23 de dezembro de 2012

O Fim do Mundo e os Mecanismos de Defesa da Mente




O mundo não acabou, mas a tal previsão maia serviu pra boa parte da mídia ter o que falar neste período de fim de ano onde as notícias ficam escassas em vários temas habituais da sociedade. E serviu também pra mim lembrar da primeira vez
que eu ouvi falar e entendi o significado de um suposto Fim
do Mundo

Sou de família religiosa, evangélica, mas não neopentecostal, menos radical, menos sectária… Nem por isso fiquei livre do infortúnio de ter que receber quando criança a “grata” notícia inverídica de que o mundo iria acabar no ano 2000. Como criança acredita em tudo que lhe é dito - principalmente por um adulto, fiquei decepcionado e assombrado, logo em minha mente veio imagens de cataclismos e lugares desolados, fruto da visão de filmes catástrofes da época que retratava esse fenômeno de destruição mundial como o resultado de uma possível guerra nuclear, algo ainda presente nos anos 1980 devido a União Soviética ainda existir, apesar de estar em pleno processo de abertura capitalista o bloco comunista ainda travava com os EUA a tal da Guerra Fria.

Após essas imagens traumáticas de destruição povoar minha mente e perturbar meu espírito, tratei imediatamente de formular em minha cachola como me livraria desta hecatombe. Na minha imaginação de menino veio de imediato a possibilidade de fugir do apocalipse num foguete, ir pro espaço sideral e de lá esperar a poeira baixar pra retornar a terra são e salvo (se eu fosse minimamente racional não quereria jamais voltar e ter o trabalho enorme de viver num mundo onde outros não produzisse toda a gama de necessidades que um ser humano precisa pra se manter). 



Quanta ingenuidade! A mente sempre encontra mecanismos de defesa, seja lá o que lhe ameaça, e isso está mais presente quando somos inocentes... mas também quando crescemos, basta notar as desculpas que nós adultos inventamos para não resolver aquele problema, pra ir no médico fazer uma consulta sobre aquela dor permanente, ou mesmo desligar um pouco a TV e o radio e ler menos periódicos que trazem em letras garrafais lorotas como essa de que o mundo irá acabar.

Nesses “possíveis” dias derradeiros da humanidade sobre o planeta Terra me veio a mente não o que ocorreria no fatídico dia 21 de dezembro de 2012, mas o que eu deixei de fazer pra ser menos rígido, mais integrado ao todo e relaxado em relação a existência e seu incessante e eterno fluxo mutacional. Apesar de saber que a única coisa certa na vida é que tudo passa por mudanças, sempre me pego em dúvida em relação os caminhos que a vocação nos orienta seguir, temendo infortúnios nas escolhas profissionais e pendendo pra atividades que podem vim a trazer “segurança”, mas jamais satisfação pessoal e alegria no coração.


©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

Follow me Fan page on Facebook Youtube Channel

sábado, 1 de dezembro de 2012

Sobrevivendo a um ataque de zumbis




Eis que a grande quantidade de agrotóxicos e alimentos geneticamente modificados – os transgênicos, na produção agrícola e mesmo na pecuária, trouxe consequências não apenas para a nossa vida como também para alem dela, após a morte (ou você acha que o grande negócio agroalimentar presente nos elos da cadeia exportadora dominados por multinacionais nas sementes, intermediação, etc., não estão nos envenenando drasticamente?).
 Um ali, outro acolá... os zumbis aparecerão e restará a você fugir, correr, se esconder e agir de maneira cautelosa, tanto em relação aos mortos-vivos, como para com os ainda vivos, como bem demonstra a HQ que deu origem a série de TV The WalkingDead: os vivos nessas condições podem ser tão ou mais nocivos quanto os próprios zumbis. Vamos lá às dicas para você sobreviver nesse mundo cão.

Primeiro. Procure se aliar aos vivos por critérios não de parentesco e afetividade, e sim por questões táticas. Se aproxime de pessoas que sentem uma grande vontade de viver e tem um senso prático para com os desafios da vida. Fique próximo de pessoas determinadas, e demonstre aos mesmos que juntos terão mais chance de sobreviver.

Segundo, vá para as montanhas, as serras, os montes, se você estiver no interior do continente. Lá, no alto, com uma visão 360º do vale, procure construir o quanto antes uma fortaleza, por mais modesta que possa ser ela representa segurança e local de observação de tudo que estiver se aproximando e demonstrar algum tipo de perigo a sua vida.

Terceiro, esteja bem equipado, com armas de fogo e armas brancas, e caso seja possível, tenha algum armamento pesado como granadas, bazucas e tanques para se deslocar com alguma segurança.

A quarta dica é a mais importante de todas: Vá para as águas, para os rios, lagos, lagoas, e em última instancia até para alto-mar; afinal das contas zumbi não sabe nadar.



©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor
Follow me Fan page on Facebook Youtube Channel

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Carta Aberta ao Conar



         Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos - se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.
Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com.br)
Follow me Fan page on Facebook Youtube Channel

domingo, 1 de abril de 2012

Empreendedorismo Para Dissipar a Ilusão do Emprego Público



Por questões burocráticas ainda estou frequentando o bacharelado em Cinema e Mídias Digitais, aguardando o Conselho Acadêmico da instituição de ensino se posicionar sobre minha vasta documentação e experiência como empreendedor criativo para eliminar a última disciplina, mas ao frequentar a aula de EMPREENDEDORISMO me deparei com algo peculiar, o professor começou a primeira aula pisando em ovos: “não quero interromper o sonho de ninguém de passar num concurso público”... e que aquela disciplina era apenas para os alunos poderem ter uma alternativa de saber fazer um plano de negócios, um projeto, nada que vá perturbar os sentimentos daquela juventude… que vá perturbar o seu “projeto de vida”.

Eu queria escrever sobre esta peculiaridade típica de Brasília, dessa juventude “destemida”, pronta a sentar o rabo numa cadeira todos os dias da semana, de segunda a sexta, das 8 às 18h., e receber religiosamente o seu “salário acima da média do mercado” (há controvérsias quanto a isso), nesse mesmo tom de crítica e satírica; mas aí vem essa matéria do Correio Braziliense de 1º de abril de 2012, e o pior: não é mentira, é a pura verdade que “O maior desafio na próxima década, segundo os próprios industriais [empregadores], será convencer os brasilienses, sobretudo os jovens, de que há vida econômica fora do serviço público”. 

Aí já é uma questão de política pública, de uma ação governamental que priorize a formação nas áreas que verdadeiramente irão demandar mão-de-obra, e não alimentar a indústria dos concursos públicos que é uma verdadeira barca furada, bom apenas para as instituições de ensino especializadas em atender essa demanda de acomodados. Um governo realmente democrático e que queira o desenvolvimento de seus governados irá focar suas políticas públicas não apenas na capacitação de mão-de-obra especializada para indústrias privadas em pleno desenvolvimento na sua região, mas também irá reconhecer o quanto o empreendedorismo é necessário para alavancar o desenvolvimento local e as melhores condições de vida real da população, tendo em vista que concurso público não gera riqueza, apenas preenche vaga, já o empreendedorismo gera empregos, renda e dividendo para a administração pública na forma de impostos. 

Se um professor universitário se preocupa em não “desanimar” seus educandos com seus conhecimentos sobre aspectos rasteiros relacionados ao empreendedorismo (sim, porque ensinar como fazer um plano de negócios ou projeto não significa transformar ninguém em empreendedor), um governo jamais pode se abster de reconhecer na iniciativa privada o caminho por onde irá deslanchar os empregos e o florescimento de empreendimentos, e assim direcionar suas iniciativas para toda a população, contribuindo para mudar a cultura cômoda onde se encontra, essencialmente, jovens das classes A e B e parte considerável da mídia tradicional. 

©© 
pode usar este conteúdo, 
sem alterar ou vender, 
mencionando o autor
Follow me Fan page on Facebook Youtube Channel

domingo, 4 de março de 2012

O blá-blá-blá acadêmico



O autor observa no relato de um livro sobre Londres dos anos 70 (Soft City) a partir de novos termos que passavam a caracterizar certas mudanças no contexto urbano – Yuppy, gentrification, etc. - que indicaria os primórdios da pós-modernidade, e que isso seria uma nova estética cultural. Basicamente o autor do texto sobre modernismo e pós-modernismo está elogiando o autor do livro Soft City, Jonathan Raban, estabelecendo uma dicotomia entre seu pensamento e de outros observadores sociais (sociólogos), qualificando aquele por tratar a cidade como um ambiente de criação de signos e prática de imagens, diferente dos sociólogos de até então que consideravam a cidade como ambiente que induzia as pessoas à racionalidade e automações, derivado do ambiente de produção e consumo de massa, uma sociedade de classes. Está em foco o papel da cidade na identidade das pessoas. E a cidade em questão aqui é a metrópole Londres, logo se conclui que todas as observações e conclusões diz respeito à cidade grande, não cabendo comparações com cidades pequenas, vilarejos ou povoados. 

Um ponto a considerar nessas elucubrações sobre a identidade na cidade grande, o autor mostra que ela é ao mesmo tempo uma oportunidade libertadora mas também um labirinto que pode nos fazer “se perder” (com isso ele parte do princípio que estamos “encontrado”) pelo labirinto que é uma urbe como Londres. O texto cita a artista Cindy Sherman como uma figura de ponta do no movimento pós-moderno, mas há muitas controvérsias sobre isso. 

O leitor é induzido a acreditar que o pós-moderno só pode ser observado a partir de uma exposição de arte em Nova Iorque ou um desfile de Moda em Paris, esbanjando eurocentrismo por todos os poros o autor e o seu livro em análise não passa de um monte de bosta travestido de intelectualidade (acúmulo de palavras e expressões) no qual não se tira para a percepção da vida e estímulo às manifestações artísticas absolutamente nada que não o engodo ou o entorpecimento, encontrando apenas figuras que se viabiliza ás custas da longa e já velha valorização da Oligarquia Acadêmica, um feudo medieval travestido de A Intelligentsia da Sociedade, no qual não traz praticamente nenhuma solução para nossa vida diária mas sim, e isso é inconteste, muita despesa ao erário, tendo em vista que esses patriarcas precisam serem sustentados por todos nós para continuarem sua inócua “produção acadêmica” e manter as aparências, como bem é demonstrado na Teoria do Medalhão (Machado de Assis).

©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor
Follow me Fan page on Facebook Youtube Channel

sábado, 15 de outubro de 2011

Tecnotópicos e Tecnofóbicos, os dois lados da mesma moeda


     Por trás dos avisos de precaução no uso da tecnologia (tecnofóbicos) e o discurso de redenção da humanidade pela técnica cientifica (tecnotópicos) há o claro desejo de aproveitar os movimentos de virada social que sempre ocorre nos momentos de mudança provocado pela evolução tecnológica, algo bem evidente nos dias de hoje. Isso pode ser observado não apenas nos trabalhadores quebrando as maquinas por considerarem um perigo aos seus rendimentos salariais, mas também nos padres e outro tipo de religiosos que quando da invenção do trem falaram que o mesmo levaria as pessoas que nele entrasse para o inferno, que o trem partiria naquela estação onde os passageiros estavam embarcando mas eles desembarcariam no reino do capeta, pois os líderes de igreja alegavam que a máquina era coisa do diabo. E também não podemos deixar de mencionar as intenções daqueles que querem fazer uma nova sociedade tecnologicamente hiper-desenvolvida ou mesmo hiper-evoluída através tão somente do desenvolvimento de qualquer técnica ou cientificismo, alegando que a evolução da humanidade se deu tão somente por parte disso. Tanto os entusiastas como os refratários à evolução da tecnologia tentam de uma forma ou de outra colocar a questão apenas em termos mecânicos, esquecendo que por trás de toda máquina há um ser-humano e este é o responsável.
       A Responsabilidade é que é a grande questão por trás de previsões e posicionamentos radicais em relação à tecnologia. Antes de qualquer invento ou uso de uma aplicação técnica há por trás um ser-humano, e nele há uma consciência. É o estado da consciência do ser humano – ou a falta dela, que irá determinar a finalidade do uso de qualquer tecnologia. Não importa a quantidade de coisas, maquinas e robôs tal sociedade disponha, sua intenção anterior é mais relevante.
       Nesse debate devemos estabelecer um parâmetro que determina totalmente se o uso da tecnologia pode ou não ser benéfico para a sociedade. Este parâmetro considera que pobreza é o único e real problema na sociedade e dele deriva todos os outros. Assim podemos considerar que o uso da tecnologia só será benéfico à sociedade se ela trouxer bem-estar a todas as pessoas, e no contexto atual todas as pessoas é todas as pessoas do mundo inteiro. A partir do momento que se aceita esta diretriz se estabelece automaticamente que qualquer coisa a ser construída, erguida, inovada, evoluída será feito para proporcionar o bem-estar aos seres humanos de todo o mundo, daí fica praticamente impossível continuar a evolução tecnológica tal qual ela se deu ao longo da Historia.
Como bem sabemos foram os reinos, os condados, os impérios, os governos, os estados que investiram e mais investem no desenvolvimento tecnológico, e sua principal finalidade sempre foi a proteção territorial, a conquista territorial, a rapinagem, a invasão... a guerra. Não apenas o desenvolvimento da informática e das telecomunicações que deram origem à internet, mas praticamente todo os outros setores da vida moderna tem como nascedouro pesquisas e desenvolvimento de coisas (geralmente armas e veículos para transportá-las) para finalidade militar. Para isso basta considerar os grandes cérebros a serviço de objetivos bélicos (Leonardo da Vinci, Albert Einstein, etc.) temos um quadro bem delineado sobre o real processo de desenvolvimento tecnológico da humanidade até então.
       Considerando esta nova diretriz para o desenvolvimento tecnológico a questão bélica fica impraticável, e assim sendo só resta usar o que temos e o que podemos aperfeiçoar para eliminar nosso único real problema, a pobreza. Ora, pobreza não é uma questão tecnológica, mas antes de tudo de estado de espírito, ela não pode ser medido por quantidade de coisa que alguém ou outrem possua, mas sim como alguém se sente em relação à vida, em relação a si mesmo e ao meio-ambiente. A vida precisa ser considerada em seu aspecto integral.
       Se todas as pessoas começasse a considerar que a vida precisa ser vivida de maneira integral certamente teríamos uma mudança radical na sociedade, tendo em vista que um dos fatores que torna a sociedade postada como ela está é exatamente o contrário. Desintegração, desequilíbrio, conflitos de toda espécie marcam a vida das pessoas, e pra chegarmos a essa conclusão não cabe apresentar dados sobre algo tão evidente. Ou seja: é uma questão de consciência, de desenvolvimento pessoal integral.
       Tecnotópicos e tecnofóbicos fazem parte do mesmo grupo por desconsiderar a consciência humana o real motivo do estabelecimento da dicotomia, se o sujeito está em conflito, se está dicotômico tudo que ele ver, considera ou realiza é a manifestação de seu estado mental, de sua consciência. Alguém pode pegar uma pá e utilizá-la para cavar as fundações de uma casa, mas o mesmo pode utilizá-la para agredir alguém. Os Tecnotópicos acham que ele irá sempre utilizar da primeira maneira, já os Tecnofóbicos acham que o mundo vai acabar com o uso constante e crescente da segunda maneira. Ora, depende da situação, pois talvez às vezes precisamos nos defender e usamos o que temos em mão. A questão é sempre de está consciente no uso das coisas e ter como diretriz um bem comum. A sociedade como um todo não treina pessoas para um bem comum, treinam para serem competitivas, para ter sua vaga no mercado de trabalho, pra ter uma nota pra passar de ano, pra ter um salário que possa comprar muitas coisas que a publicidade insiste de maneira sutil e implacável que precisamos obter custe o que custar, etc. Segundo esses valores e discurso no qual estamos submetidos desde criança a pobreza não é o real e único problema, mas ter coisas, acumular, competir e rivalizar é o norte a se chegar.
É fácil concluir que há um incentivo à excitação, uma carga que nos obriga a conseguir, a ganhar algo que vá alem, claro, de uma mera satisfação das coisas imediatas, o básico para assim não sofrer das necessidades imediatas, que é o que podemos considerar como pobreza. Neste esquema temos o ambiente social do nosso mundo, e por ele não considerar a pobreza como único problema a ser resolvido e incentivar um desequilíbrio mental nas pessoas é evidente que seu foco sobre as coisas (tecnologias e ciência) terá uma visão dicotômica, e essa dicotomia não significa que um lado está certo e o outro errado. Ele apenas indica o nosso estado mental de inconsciência, porque é muito fácil perceber que não chegaremos a lugar nenhum pelo uso constante de tecnologia (utopia) e nem pelo receio com o mesmo (fobia) vamos todos nos arrebentar num futuro próximo. O resultado do uso que fazemos dos instrumentos – seja ele elétrico ou mecânico, será o que o nos moveu antes de tocarmos a mão. É tudo uma questão de responsabilidade, e responsabilidade só existe quando há consciência.    
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

segunda-feira, 4 de julho de 2011

TRABALHO EM EQUIPE





Equipes são conjuntos de pessoas com um objetivo em comum, compartilhando os mesmos interesses e agindo de maneira conjunta na multiplicação de idéias e esforços em busca de um resultado, valorizando as habilidades e competências individuais. O trabalho em si é sempre individual, sua junção coordenada é que dá o sentido de integração, e essa coordenação é sempre o resultado de uma decisão de determinado indivíduo, que mesmo passando por consultas ou assessorias será sempre uma decisão de um indivíduo que tomará a responsabilidade sobre determinado conjunto de informações e tema, estabelecendo a conformidade de algo que se buscou originalmente através da imaginação de alguém, imaginação que é algo sempre individual e intransferível.
Muitas pessoas estão trabalhando em grupos e não em equipes, onde parecem que estão em uma linha de produção ou então esperando que os outros façam todo o serviço e o mesmo receba os créditos pelo resultado final do trabalho, e isso é algo bastante comum no ambiente acadêmico dos discentes, não sei exatamente se é uma cultura consolidada no qual como ninguém questiona as pessoas vão “empurrando com a barriga” esta pseudo-metodologia imposta por docentes das mais variadas tendências e disciplinas, ou é algo regulamentado pelo MEC e que todas as Instituições de Ensino Superior são obrigadas a por em prática para cumprir algum tipo de obrigação pedagógica que tem como resultado um aprendizado - que pelo menos para o meu parco entendimento, é deveras um tanto miraculoso. 

É público e notório que um dos procedimentos mais criticados e enojados por alunos e ex-alunos de curso de nível superior são os tais Trabalhos em Equipe ou Trabalhos em Grupo para alguns. Uma rápida pesquisa entre conhecidos ou mesmo na internet comprovará a inutilidade e até mesmo vulgaridade de um procedimento fadado ao fracasso e o pior: a castração daqueles que tem idéias e projetos particulares que tem que abdicar de seus sonhos e projetos de vida para se “enturmar” dentro de um grupo para poder ter alguma menção acadêmica válida para esse sistema de “ajuntamento” forçado e obrigatório de pessoas, com a chancela de uma coordenação pedagógica que a única coisa que parece fazer é cumprir regulamentos estapafúrdios como este que exalta a capacidade de se submeter a organizações e sociedades – procedimento típico de quem é e será um mero empregado, e desaprova e repreende as capacidades de empreender e tocar iniciativas próprias – algo típico de quem constrói conhecimento, empresas, gera riquezas e ainda proporciona emprego para àqueles que passaram e passam a vida inteira cumprindo ordens como essa que determina que para ter mérito acadêmico o sujeito precisa se submeter a esse procedimento, por muitos exaltado, chamado Trabalho em Equipe.
@gledsonshiva
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Análise do filme “O Senhor dos Anéis” 7º enfoque


CONTEXTUALIZAÇÃO GERAL DA OBRA

É uma produção de que tipo, o que  tem a ver com cifras financeiras?

É uma mega-produção, um blockbuster, um filme pensado para se tornar referência em seu gênero e sucesso de bilheteria, alem de todas as possibilidades de desdobramento mercadológico no qual este tipo de conteúdo é criado e desenvolvido pelos grandes estúdios e distribuidoras cinematográficas.

O financiamento determina a qualidade? Estética da obra? Mas há alguma censura à livre criatividade?

 Sem dúvida nenhuma a qualidade visual, sonora, narrativa, interpretativa, de produção e direção geral é oriunda de um grande investimento, o que possibilitou a contratação e total dedicação por considerável período de tempo dos mais capacitados profissionais para a feitura desta obra magnânima.

A estética da obra é pensada em termos de trazer imagens e sons surpreendentes e fantásticos, mas tendo como fundamento ser alicerce da eficiente narrativa já outrora experimentada em outra mídia (literatura) com bastante sucesso e louvor.

Se houve alguma espécie de censura para a tal “livre criatividade”, ela não fez falta nenhuma, visto que o filme foi um sucesso e ele é bastante eficiente ao que se propõe.

Foi preciso se tornar uma produção independente para realizar a visão do diretor?

Apesar do Peter Jackson vim de produções independentes de baixíssimo custo como o horror "Trash, Náusea Total" (Bad Taste, 87) e "Fome Animal" (Braindead, 92), ele conduziu a trilogia “O Senhor dos Anéis” com grande eloqüência e maestria, realizando a visão de eficaz comunicabilidade que qualquer blockbuster exige, dentro da perspectiva de ser um filme "pra toda a família".

Como foi a campanha publicitária? Outros produtos mercadológicos derivaram desta produção?

 A campanha publicitária foi tão eloqüente e abrangente que o segundo filme coincidiu o seu subtítulo – “as duas torres”, com o maior acontecimento deste século: a derrubada das torres gêmeas de Nova Yorque, após a colisão de aviões conduzidos pelos ditos “terroristas”. Eu fiquei arrepiado quando associei uma coisa com a outra, no tocante a deduzir que tal coincidência não fora por acaso, tudo veio do planejamento de comunicação feito pelos marqueteiros.

Diversos foram os produtos e serviços derivados da obra cinematográfico com seus signos próprios e proprietários. De camisas estampadas a documentários para TV, passando pelo jogo/game produzido pela Eletronic Arts e relançamento da obra no mercado editorial nas linguagens do romance, da HQ, RPG, álbum de figurinhas, etc.

Alguma cobertura jornalística? Crítica relevante?

Basicamente a cobertura jornalística anunciou o filme como um evento de grande porte, coisa que ele realmemte foi. E após assistirem ao filme apenas confirmaram a eficiência da narrativa mitológica fantástica do escritor e filólogo sul africano John Ronald Reuel Tolkien, muito bem transposta para a mídia cinematográfica através de Peter Jackson e sua equipe.

Qual escopo (tamanho) da obra: produção nacional de alcance limitado ou voltada para o mercado mundial?

A trilogia “O Senhor dos Anéis” não só é uma mega produção para o mercado mundial, como também é um conteúdo de entretenimento a ser disseminado e vendido em outras mídias, sob a mesma forma ou transformada para se enquadrar no novo meio, que pode ser um game, um documentário, uma HQ, um brinquedo, etc.

Há alguma visão hegemônica (nacional ou não) sendo imposta/sugerida/transmitida? Que recursos estéticos são usados para isso?

A visão hegemônica pode ser traduzida na semelhança dos embates de exércitos - com o conceito de dominação de povos e apropriação de territórios, em similitude ao que ocorria com a política externa do país produtor do filme (EUA), realizada pelo seu dirigente de então (George Bush).


©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Análise do filme “O Senhor dos Anéis” 6º enfoque


Quando acontece montagem paralela, panorâmica, travelling? O que se deseja transmitir?

Não ocorre montagem paralela. Panorâmicas são usadas para mostrar os vastoscenarios das locações naturais ou as criadas por computador, muitas com o intuito de nos impressionar pela grandiosidade e pelos detalhes cenográfico. Os travelling são muito comum em cenas de perseguição, preparação dos soldados para as batalhas quando alinhados de frente ou quando o diretor quis mostrar o frenesi no interior do batalhão.

Quando numa mesma unidade espaço-temporal há descontinuidade?
Os únicos momentos de descontinuidade de “O Senhor dos Anéis” ocorre nos flashback, no intuito de informar sobre certos aspectos do presente da narrativa do qual só se faz inteligível com uma explanação de algo que ocorrera em algum momento do passado.

 Quando a CÂMARA é subjetiva? Por quê?
Em “O Senhor dos Anéis” – como em outros conteúdos para consumo de massa, jamais há câmara subjetiva.

Quando ocorre campo e contra-campo? Por quê?

Nos momentos onde há perigo para o(os) protagonista(s), mostra-se no contra-campo o inimigo ou/e um monstro ou/e um precipício se aproximando de forma sinistra.


Quando há equilíbrio e quando há tensão reproduzida por esses recursos?

Se “esses recursos” estiver se referindo as ultimas questões que versam sobre aspetos da técnica de direção de fotografia, ainda não estou habilitado para discorrer sobre tal, visto que esta disciplina só passa a ser ministrada para os formandos deste curso a partir do 3º semestre.
Caso se esteja empregando os “esses recursos” no todo de um filme, podes concluir que o equilíbrio está no paralelo com a eficiência de uma narrativa clássica relacionada a jornada de um herói na busca pela restauração da paz em seu mundo/comunidade. Nisto os elementos técnicos são harmonizados para acompanhar a emoção/sensação insinuada pela personagem no desafio representado por aquele momento da historia, sendo que a tensão neste contexto é um fundamento indispensável para causa no espectador a noção de perigo que o protagonista atravessa, e que nos faz ter empatia pelo mesmo.
 
Qual o papel da trilha sonora? O que reforça e o que antecipa?

A trilha-sonora é usada essencialmente de maneira incidental: quando há cenas de tenção a melodia se torna grave ou/e disforme, quando há romance aparece harmonias delicadas e em tom baixo, se vemos os guerreiros se preparando para a batalha logo uma sonoridade de fanfarra militar chega aos nossos ouvidos de forma retumbante. Reforça-se aspectos óbvios no qual funciona como alavanca da informação imagética.
@gledsonshiva
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

sábado, 2 de abril de 2011

Análise do filme “O Senhor dos Anéis” 5º enfoque


Quando acontece plano fixo contínuo?

Este é o tipo de filme onde não há, definitivamente, este tal plano, visto que estamos diante de um gênero de aventura/ação.
Considerando, claro, que a duração deste plano deve ser de pelo menos 10 segundos ininterruptos.

Quando acontece PLANO GERAL, PLANO MÉDIO, PLANO AMERICANO; CLOSE-UP; CAMERA ALTA, CAMARA BAIXA?

PLANO GERAL
        Aparece com mais recorrência nas cenas de batalha, visto que é um recurso usado para demonstrar a fragilidade do exército dos “bonzinhos” contra a proeminência da tropa dos “mauzinhos”, mas está também presente para apresentar a eloqüente paisagem da Nova Zelândia, e as construções gráficas (efeitos visuais) como as duas torres, os castelos, as fortalezas, etc.
PLANO MÉDIO
        Muito comum para mostrar os três guerreiros (o anão, o elfo e o humano) em sintonia/harmonia. Mas também é bastante usado nos enquadramento do Frodo e seu parceiro.

PLANO AMERICANO
        Muito comum nas cenas que antecedem e no durante as batalhas de enfrentamento direto entre os guerreiros.
CLOSE-UP
        Usado nas cenas drmáticas do filme: quando o guerreiro humano está diante da elfo interpretada pela atriz Liv Taylor, quando um membro da corte de um reino dá uma de Yago (Othelo/Shakespeare) e convence um rei doente a agir conforme seus anceios, e para enquadrar o drama de dupla personalidade da ótima personagem do Sméagol. As vezes ocorre de forma circunstancial num diálogo banal, mais relacionado a descontração, que são eficazmente usados como pausa para a próxima aventura/batalha/correria.
CAMARA ALTA e CAMARA BAIXA
        Exaustivamente usado para demonstrar a eloqüência das edificações que aparecem nos cenários do mundo imaginado pelo autor original da trama: torres, castelos, fortalezas, etc. Alem disso este posicionamento de câmera é fundamental para demonstrar risco eminente no momento que Frodo e seu parceiro estão seguindo Smigool num trajeto de escalar e descer montanhas.   
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

sábado, 26 de março de 2011

Análise do filme “O Senhor dos Anéis” 4º enfoque


Que recursos visam transportar o espectador para dentro da obra?

O principal recurso é a narrativa. Tendo em vista que a trilogia é baseada num livro de ficção de consolidada eficiência dramática, bastou os produtores contratar as pessoas certas e rodar o filme nas locações ideais (Nova Zelândia), mas não são apenas o cenário que garante o transporte do espectador para dentro da obra. Alem da narrativa todo o aparato visual e sonoro é construído de forma harmônica para criar ambientes e provocar sensações em conformidade com as emoções das personagens, todos tratados na finalização por um amplo e complexo processo de retoque de imagem e inserção de efeitos computacionais dos mais diversos e de difícil percepção até mesmo para os profissionais especializados nas respectivas áreas.



Quais mitos estão sendo reproduzidos?
                                                                   
        O mito do herói (juntamente com seu antagonista, o vilão) é sem dúvida nenhuma o mais explorado aqui, visto que a estrutura da narrativa está em sintonia com o enredo clássico da representação do protagonista que enfrenta numa jornada desafios externos e internos para, após derrotar o “mal”, alcança o elixir que vai sanar toda a doença e o desequilíbrio de sua comunidade. Após o feito heróico consumado há a cerimônia no desfecho do filme do qual eles são homenageados e reconhecidos como tais.

Quando é usado o recurso da “câmara-olho”? Há algum abuso desse recurso?

 A lente da câmara assemelhada a visão de um olho é usada quando determinado monstro (acho que é uma aranha) se aproxima perigosamente do herói Frodo, enquanto este dorme.

Quando a descontinuidade é ocultada? Quando ela é explicitada?

Como a narrativa abrange várias passagens de tempo, todas não-cronológica, a descontinuidade é eficientemente ocultada para possibilitar, por exemplo, diversas batalhas do mesmo exército - os bonzinhos, contra vários exércitos dos malvadinhos. 
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

domingo, 20 de março de 2011

Análise do filme “O Senhor dos Anéis” 3º enfoque


Quais recursos usados para aproximar espectador da obra?

        Um produto do porte de uma trilogia como “O Senhor dos Anéis” tem seus processos associados a um conteúdo cultural para competir nos acirrados mercados de entretenimento audiovisual, do qual se pretende abocanhar parte dos trilhões por ano que ele rende em todo o mundo. A aproximação ao espectador se faz desde o planejamento estratégico do produto, do qual se destaca todo o seu marketing com o posicionamento (distribuição no tempo e no espaço) e a propaganda, alem de todos as derivações que o produto possa associar com os seus símbolos embutidos em produtos e serviços vários, regido pela lógica da licença comercial; tudo isso no antes e durante o período que o filme estiver em cartaz nos cinemas nas diversas praças mundiais.
        Internamente os recursos mais importantes para aproximar o filme do espectador é a eficiência na adaptação do texto literário para o roteiro audiovisual, a direção de um profissional competente (acertaram ao escolher o Peter Jackson) e a correta seleção dos demais profissionais da técnica e da arte.


Quais as soluções de continuidade encontradas para invisibilizar a descontinuidade elementar da obra?

Tendo em vista que “O Senhor dos Anéis” é uma trilogia para cinema, e por isso mesmo terá sua exposição apresentada em períodos distintos relativamente longos, o processo de conexão se faz com a apresentação do que ocorrera de mais significativo no filme anterior. Mas alem disso, foi usado como estratégia de potencializar a bilheteria este fato da descontinuidade dos 3 “capítulos”. A rede Cinemark a época do lançamento do ultimo filme da trilogia, fez uma espécie de maratona onde o sujeito via em seus complexos de salas os dois primeiros filmes para posteriormente, no mesmo dia, assistir a ultima parte da série.

Quando a ilusão/catarse é criada deliberadamente?

Tomando catarse como o expurgo de emoções acumuladas pelo público em comunhão com o(s) protagonista(s) ao longo do transcorrer de uma narrativa eficientemente construída, conclui-se que – visto o sucesso comercial de “O Senhor dos Anéis” – em cada um dos filmes da trilogia houve diversas catarses, sendo a principal aquela do capítulo final, onde um minúsculo exército enfrenta uma infinita aglomeração de “guerreiros maus”, atravessa-o ao meio e após a destruição do anel, vence a guerra definitivamente, e nós nos sentimos David vencendo Golias tais quais eles.   

©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

sábado, 12 de março de 2011

Análise do filme “O Senhor dos Anéis” 2º enfoque


Aspectos da linguagem

        A linguagem de “O Senhor dos Anéis” privilegia os aspectos consagrados da narrativa clássica cinematográfica, sobretudo no desenrolar de uma trama/historia, qual seja: a estrutura em começo, meio e fim, um tema central e um protagonista (no caso do filme em questão apesar de Frodo ter a maior responsabilidade na obra, podemos considerar como protagonista também os guerreiros que representam elfos, humanos, hobbits, anões e o mago Gandalf) que irá passar por uma jornada heróica semelhante às narrativas mitológicas de outrora (Grécia antiga) e ainda eficiente como estrutura dramática, e que, alem disso, tem como maior semelhança um certo maniqueísmo ao dividir o mundo em “bonzinhos” e “malzinhos”. 


Qual espaço definido pela câmera? Qual a impressão?

        O espaço definido pela câmera corresponde a assimilação imediata do público daquela informação ou sensação que se quer transmitir, buscando causar a impressão relativa à parte da narrativa correspondente a linha cronológica em que se encontra o (os) protagonista (s).

Há um efeito janela? Por quê?

        Há uma tentativa de efeito janela em toda a produção cinematográfica mundial, desde o momento que as imagens em movimento não mais encantavam por si só, e muito menos os documentários informativos (as atualidades) tinham mais relevância que as micro narrativas toscas que estavam sendo ensaiadas e evidenciavam aquilo que se tornaria a mídia mais influente e economicamente rentável do século XX.
        O porquê do efeito janela deve ser entendido como o fundamento central onde se assenta os objetivos da produção cinematográfica, e não apenas no cenário hollywoodiano com seus blockbuster, ou aquilo que chamam de Indústria Cultural com os produtos de entretenimento de larga escala. Toda a narrativa cinematográfica que tem como objetivo ser compreensível, emocionante e significante para uma determinada sociedade – ou o conjunto maior de toda as sociedades no mundo, como foi o caso de Titanic – precisa causar o efeito janela na mente do público que pagou para ver. O principal objetivo das pessoas que pagam ingresso, que alugam um filme ou baixam da internet, é exatamente ser transportado por esta janela para um mundo que não precisa ser diferente do seu, mas certamente deve haver elementos que o faça ser transportado para dentro da historia de modo que ela lhe impressione, comova, excite, provoque, e – talvez, torne-o capacitado a perceber aspectos da vida que ele não compreendia até se deparar com a obra de arte.
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor