terça-feira, 24 de agosto de 2010

CAMPANHA SALVE O CINE BELAS ARTES


No final de março deste ano, o banco HSBC interrompeu o patrocínio ao cinema Belas Artes, um dos poucos cinemas de rua que ainda existem em São Paulo, que possui programação diferenciada e de alto nível. 

Localizado na esquina das avenidas Consolação e Paulista, ele poderá ter suas portas fechadas após 43 anos de funcionamento.  No início do mês de abril, André Sturm, sócio-proprietário do Cine Belas Artes, iniciou uma batalho para conseguir um novo patrocinador, infelizmente sem sucesso até o momento.
Inconformada com a possibilidade do fechamento, Marie-France Henry, proprietária do Restaurante La Casserole, reuniu outros 16 restaurantes para criar uma campanha de Apoio, batizada de “Salve o Belas Artes: Tudo Pode Dar Certo” (segue abaixo a relação dos restaurantes e a forma de funcionamento da Campanha).

Ajude-nos a buscar uma forma de não permitir o fechamento de mais uma sala de cinema na cidade de São Paulo. Mais informações sobre o projeto de Patrocínio com: Léo Mendes (11) 5093.0839 – 5041.0133.

Funcionamento da Campanha: No momento do fechamento da sua conta em um dos  restaurantes listados abaixo, você autoriza uma contribuição no valor de R$ 5,00 para a Campanha e recebe um ingresso para assistir um filme no Cine Belas Artes. Este ingresso será carimbado no momento em que você for ao cinema e ele passará a valer uma sobremesa no mesmo restaurante, em sua próxima refeição.


Arábia
Rua Haddock Lobo, 1.397 - Cerqueira César
Telefone: 3061-2203
Sobremesa: qualquer doce árabe

Arábia Café
Praça. Vilaboim, 73 - Higienópolis
Telefone: 3476-2201
Sobremesa: qualquer doce árabe

Amadeus
Rua Haddock Lobo, 807 - Cerqueira César
Telefone: 3061-2859
Sobremesa: Sfraciatelli (doce siciliano com frutas secas, mel e sorvete de creme)

Eñe
Rua Dr. Mario Ferraz, 213 - Jardim Europa
Telefone: 11 3816-4333
Sobremesa: Crema catalana

Ici Bistrô
Rua Pará, 36 - Consolação
Telefone: 3257-4064
Sobremesa: Terrine de chocolate



Tappo Trattoria
Rua da Consolação, 2.967 - Cerqueira César
Telefone: 3063-4864
Sobremesa: Semifreddo de chocolate

Diner 210
Rua Pará, 210 - Consolação
Telefone: 3661-1219
Sobremesa: Cup Cake

Tordesilhas
Rua Bela Cintra, 465 - Consolação
Telefone: 3107-7444
Sobremesa: Pudim de tapioca com baba de moça

Mestiço
Rua Fernando de Albuquerque, 277 - Consolação
Telefone: 3256-3165
Sobremesa: Frozen Iogurt com caldas variadas

Dona Onça
Avenida Ipiranga, 200, lj. 27/29 - República
Telefone: 3257-2016
Sobremesa: a definir

Adega Santiago
Rua Sampaio Vidal, 1.072 - Jardim Paulistano
Telefone: 3081-5211
Sobremesa: Pudim de doce de leite

Così
Rua Barão. de Tatuí, 302 - Vila Buarque
Telefone: 3826-5088
Sobremesa: Tiramisú ao mascarpone artesanal

Dui
Alameda Franca, 1.590 - Jardim Paulista
Telefone: 2649-7952
Sobremesa: Fondant de chocolate e doce de leite, farofa de café e sorvete de canela

La Casserole
Largo do Arouche, 346 - República
Telefone: 3331-6283
Sobremesa: Crêpes Suzette

Martin Fierro
Rua Aspicuelta, 683 - Vila Madalena
Telefone: 3814-6747
Sobremesa: Alfajor de chocolate

Rua Cel. José Eusébio, 105 - Higienópolis
Telefone: 3159-1197
Sobremesa: Banana ouro grelhada, creme de iogurte e doce de leite, farofa de biscoito e castanha do Pará

Obá
Rua Dr. Melo Alves, 205 - Cerqueira César
Telefone: 3086-4774
Sobremesa: Massa crocante mexicana, sorvete de creme, melado de rapadura e canela com farofinha de milho seco

sábado, 14 de agosto de 2010

RUMOS DO CINEMA BRASILEIRO

O cinema brasileiro entendido como o mercado nacional de produção, distribuição e exibição de conteúdo audiovisual para as telas das salas de cinema vai - segundo um grupo de pessoas, muito bem, em franca expansão depois da hecatombe provocada pela extinção da EMBRAFILME no governo collor. Mas para alguns mais céticos o fato de termos 15% do mercado, uma cota de tela, vários mecanismos de financiamento – direto e indireto, filmes concorrendo ao oscar, etc., não significa que haja um mercado nacional de cinema, muito menos que ele está em expansão, pois estes observam que há simplesmente uma reacomodação após o desastre da produção do início dos anos 90, e que o grande problema é a concentração da distribuição nas mãos das majors que na verdade atua de forma incisiva através da Motion Pictures Association, fazendo com que o filme nacional não tenha o devido espaço e respeito junto aos exibidores. Já a questão da exibição nos remete a mudança de orientação mercadológica que se processou nos anos 80 e 90, no qual o cinema deixou de ser popular e passou a se destinar à classe abastada de nosso país, explicação detalhada que pode ser verificada neste artigo aqui.

terça-feira, 20 de abril de 2010

ANÁLISE SOCIOLÓGICA DO FILME “NA NATUREZA SELVAGEM” (Into the Wild )


 
DIALÉTICA DO RETROAGIR


       Peter Berger sentencia: “…e pode acontecer, naturalmente, que o homem se afogue nas ondas que ele próprio produziu”. Mas quais foram as ondas que o protagonista da aventura produziu e nas quais ele se afogou, como se o feitiço virasse contra o feiticeiro? Ora, pelo que se ver no filme ele gosta das ondas, e as aproveita muito bem num banho matinal. Brincadeiras a parte, tentemos entender corretamente o que o Peter Berger quer dizer com este “homem”. Uma coisa é o “homem” que produz a onda, outra coisa é o (s) “homem (s)” que institui a onda como algo obrigatório, e outra coisa totalmente diferente é o “homem” que transgride esta “obrigatoriedade da onda”, tratando-a de modo diferente ou simplesmente ignorando-a. Juntar tudo e botar no mesmo balaio é ter uma atitude nada científica.

         Sou contra o excesso de repartições, separações, diferenciações que marcam a formalidade da pesquisa científica para o entendimento dos fenômenos, mas considero indispensável separar grupos de pessoas que compõem as mais variadas sociedades, a saber: CRIADORES, INSTITUCIONADORES, e REINVENTORES. Colocar estes três num mesmo processo ou até na mesma pessoa pode servir para a feitura de uma fábula, mas para entendimento de um fenômeno social é inócuo, é um engano, é reducionista e simplório, visto que a mesma pessoa jamais irá desempenhar as três funções ao longo da sua vida; o fenômeno ocorre ao longo da historia, mas sempre com pessoas diferentes. Não ocorre a dialética do retroagir no filme “Na Natureza Selvagem”, apesar que isto poderia ser usado para melhorar dramaticamente o fraco roteiro. A personagem realiza o seu intento de viver na natureza como um selvagem (até onde se pode conceber, visto que aquela espingarda não tem nada de natural). Até porque, conforme a concepção do Sean Penn ao desenvolver a trama, houve um desfecho positivo, como que uma realização de um sonho. Mesmo a personagem sucumbindo no mundo do qual ele buscou e encontrou, não dá pra considerar isto uma dialética do retroagir. Não sei no livro, mas houve no tratamento da historia do filme um final feliz que foi buscado desde o início pelo protagonista, e efetivado ao final da trama.



ENTIDADES HIPOSTASIADAS


       A historia do filme, a motivação fundamental do protagonista, só ocorre porque ele considera as entidades hipostasiadas meras formalidades que não lhe impressionam – não lhe causam medo nem interesse de possuir, das quais ele as queima (dinheiro), rasga (cartão de crédito), ignora (família) e muda-a (seu próprio nome) sem cerimônias, sem procurar a autorização ou/e a confirmação de outrem, enfim: ele não reproduz a sociedade nos processos de conversação, visto que “o outro” é totalmente dispensável ao seu propósito de vida. Para o protagonista muito mais importante que um carro novo é seu uso como meio de transporte, mais relevante que o status de um diploma de nível superior e a conseqüente vida “segura” de um cidadão bem ajustado socialmente e trajando um figurino (terno e gravata) de um papel social respeitável, está o seu espírito de aventura, e seu desejo de experienciar a natureza selvagem. 


O PROCESSO DE EXTERIORIZAÇÃO


       No seu último relacionamento antes de partir para o Alaska, o protagonista tem um breve embate com um velho, que sentindo-se solitário, pede para o protagonista esquecer seu “sonho maluco” e desempenhar o papel de filho, neto, sobrinho - ou algo do gênero, ao conviver com ele. Por ter seu pedido negado, o velho chora e se recente por não ter conseguido juntar uma “coluna invisível” de seu mundo de outrora, que teve a conversação encerrada com o falecimento de sua esposa.

O PROCESSO DE OBJETIVAÇÃO

       Por não se sentir culpado ao transgredir valores sociais – que pode se resumir na desobediência e não aceitação das expectativas que os pais esperam dele, o protagonista foge do controle social apagando seu rastro documental para que a polícia – ao ser acionada pela família, não o encontre. Ele evita o confronto da força social fundamental (família), mas para juntar dinheiro – em seu propósito de ir ao Alasca, ele se rende às forças sociais TEMPORARIAMENTE, arrumando um emprego.

       Também por não se sentir culpado ao transgredir valores sociais – ou/e por ter o desejo pela aventura maior que o medo da autoridade/repressão, o protagonista desce de caiaque por um rio sem a licença, que só lhe seria outorgada no período de anos. 

       Peter Berger sentencia: “A não ser que ele exista em loucura solipsista, saberá quanto vai dessas fantasias à realidade de sua vida efetiva na sociedade, que lhe prescreve um contexto comumente reconhecido e se lhe impõe sem tomar conhecimento de seus desejos”. Esta objetividade coercitiva da sociedade, seja material ou não-material, da qual o Peter Berger nos tenta mostrar é relativa nos dias atuais, e certamente esta relatividade vem desde a época em que o sujeito escrevera “O Dossel Sagrado” (anos 1980). Diferente do que ocorria antes da sofisticação dos mercados na transformação de comportamentos em associabilidades a produtos e serviços, hoje se alguém quer tomar atitudes individuais, peculiares, diferentes do padrão vigente, este comportamento será cooptado e associado a um bem mercantil, para potencializar as vendas ou agregar valor a uma marca. 

       Os grupos de poder de nossa sociedade da informação (do conhecimento?) não enfrentam o indivíduo ou grupos recalcitrantes, não tem o mínimo interesse de querer “pô-los na linha”. Pois o que lhes interessa são as atitudes e impactos que determinados sujeitos possam a vim causar na arena do embate midiático com concorrentes diretos e indiretos. É claro que existe os países medievais onde a observação do Berger pode até ser aplicada (Irã, Coréia do Norte, Talibã e coisas do gênero em célere processo de extinção), mas o que ocorre de fato nos tempos atuais é que se o sujeito quer viver na selva como um animal, na natureza selvagem, o problema é dele, visto que só irão se importar com isso quando alguém ver a OPORTUNIDADE de tornar aquele fato peculiar de um indivíduo (que está longe de ser inédito), e que ainda teve a “ótima idéia” de anotar tudo ao longo do processo, transformando num livro, ganhar uns “tubos” e depois mais ainda ao vender os direitos para a produção de um filme da indústria audiovisual mais relevante de nosso tempo.


       Por mais que os familiares possam ser contra e que policiais sejam designados para capturar o recalcitrante, a objetivação material ou a não-material ocorre para os perseguidores, mas não para o perseguido – conforme é mostrado segundo a concepção do Sean Penn. Esta idéia fica mais clara quando ouvimos a irmã do protagonista reconhecer ao longo do filme que o irmão estaria a realizar a sua “lenda pessoal”, ou coisa do gênero, e por isso o fato dela ficar triste ou desejar o seu retorno era algo tolo e sem sentido. Depois disso a objetivação da instituição família se esfacelava, mas o roteiro é tão mal construído que mais na frente da historia o diretor coloca o pai do protagonista chorando, meio que perdido no meio de uma estrada, causando no público um sentimento dúbio, visto que a irmã já havia se conformado com a ída sem volta do irmão, da desistitucionalização familiar daquele membro que até pouco tempo “interpretava razoavelmente bem o seu papel social”.  

        
O PROCESSO DE INTERIORIZAÇÃO


       Tendo em vista a declaração de Peter Berger que “o mundo é mantido como realidade subjetiva pela mesma espécie de conversação, seja com os mesmo interlocutores importantes ou com outros novos (cônjuges, amigos…). Se essa conversação é rompida (o cônjuge morre…) o mundo começa a vacilar, a perder a sua plausibilidade subjetiva”. Podemos concluir que no momento que o protagonista do filme se diplomou (formalidade social) e decidiu a partir dali se dedicar a sua aventura, ele iniciou um processo de diminuição da conversação, que se intensificou com a sua chegada ao Alaska e culminou no estabelecimento/fixação no “Magic Bus”. Mas entendendo plausibilidade como linguagem, percebemos que isto ele não perdeu nem mesmo quando estava debilitado fisicamente, pois mesmo doente continuou a escrever e/ou tentar ler.   

       A ação nomizante do protagonista do filme se faz quando ele toma o “Magic Bus” como casa, limpa-o, organiza-o de forma a utilizar seus espaços para repousar utensílios e também se proteger de eventuais “selvagerias” maiores que o frio. 

Obrigado ao professor Eládio Oduber 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crítica de “O Instante Decisivo” de Henri Cartier-Bresson


       É interessante perceber que Cartier-Bresson ao mencionar os filmes do cinema considera-o de forma contundente: “eles me ensinaram a ver”. Essa relevância da 7ª arte em sua obra fica evidente, mesmo ele sendo um repórter-fotográfico os seus enquadramentos tem uma dimensão poética, que ultrapassa o mero registro monótono do cotidiano, ou a frivolidade de uma ação típica de paparazzi. 

       Estar alerta para tirar fotos como que um “flagrante delito” demonstra uma atitude real de um artista, que está em sintonia com o universo, percebendo coisas que a amioria das pessoas não enxerga, passando batido, aquilo que muitos poetas notam mas o cidadão comum ignora por ter preocupações cotidianas, e o artista não, ele está “ligado” nestas pequenas coisas da vida, por isso dizem que eles são como loucos, que estão no “mundo da lua”. Infere-se daí a necessidade do artista ter um tipo de suporte para o exercicio de sua profissão, e no caso o Bresson tinha (“uma pequena mensalidade permitia que eu me virasse”).

       Como todo bom francês com razoável acúmulo intelectual (os melhores filmes franceses são aqueles onde há no máximo grunhidos: “A Guerra do Fogo” do Jean Jaques Arnoud) Cartier Bresson passa toda a parte deste texto explanando papagaiasticamente sobre o óbvio: que a fotografia é a estagnação do movimento, pois a foto é um instante da vida, e a vida é ininterrupta, mas foto cria-nos a ilusão que ela parou em algum momento, etc, blá-blá-blá, etc. Prefiro o contrário, no que ocorre no cinema, onde o fluxo das imagens é indispensável para a constituição desta arte, e a partir da imitação da vida neste fluxo imagético se conta historias, reportagens, documentagens… mas nos poupa destas firulas de extrair teorias a partir de algo que no meu entender deveria ser simples e notório. E o pior ocorre quando ele começa a lamúria que permeia a vida de 10 em cada 9 artistas inserido dentro da indústria cultural (comunicação de massa): “… algumas vezes corre-se o risco de se deixar moldar pelos gostos e necessidades da revista.” Parei aqui. Como produtor já ouvi isso trocentas vezes! Chega de mais do mesmo!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Troque o seu Cachorro por Uma Criança Pobre


       Qual é o motivo que leva as pessoas a buscarem um animal de estimação? A falta de afeto? A falta de tato com os outros seres-humanos? O desejo de ser amado, ou/e de receber atenção? De ser levado “a sério”?

       Cavando mais fundo este buraco: qual é o motivo de termos tantos animais abandonados? Afinal de contas eles são dóceis e obedientes (o melhor amigo do homem?), e também alguns protegem e são valentões (pit bull, Hot Valley, doberman, pastor alemão, gansos), por que então eles são abandonados após terem sido adquiridos? Foram achados, foram buscados e aceitos após doação, e alguns foram até comprados e mesmo assim são abandonados – segundo a UIPA pelos motivos mais estapafúrdios, sendo curioso o caso de uma pessoa que não queria mais um hott valley porque ele não era tão bravo e feroz quanto o dono imaginara.

       Esse fenômeno social mereceria um documentário cômico-trágico.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A TEORIA DO PONTO E VÍRGULA



Qual será a outra língua no mundo que há esta pausa tão distinta e miraculosa? afinal de contas o “ponto e vírgula” não encerra o período, a frase ou a oração de um pensamento, mas também não é uma pausa simples como a vírgula, ela tem uma duração um pouco maior. É diferente. É estranho.

Já li alguma coisa sobre o ponto e vírgula em gramáticas. Mas o que me importa aqui é este lado místico do sinal, no qual eu creio que é uma exclusividade da língua portuguesa, mais uma peculiaridade de sua estrutura, algo que deve está intrinsecamente relacionado com a cultura lusitana, na qual herdamos também.

Já ouvi falar que os portugueses sempre foram um povo, digamos… permissível… talvez maleável. Certamente não tão maleável como o brasileiro – de onde vem nossa vantagem de se adaptar tanto entre gregos como troianos, mas suficientemente maleável ao ponto de está com atitudes mais próxima do oriente do que do ocidente, ser mais exotérico do que racional.

Parece que entre os outros povos as coisas e as idéias são mais diretas: ou é sim, ou é não; pronto, acabou. Não tem essa disso poder ser aquilo ou vice-versa; nani, nani, nani! O preto é preto, e o branco é branco, mas por aqui existe algo como o pardo. “pardo”?! que lugar do mundo tem essa cor?! Só aqui mesmo no Brasil. Bem, mas o assunto não é o Brasil, o lance é a língua portuguesa e o seu miraculoso “ponto e vírgula”.

Nesta noite me veio isso sei lá por que?!? O “ponto e vírgula” me pareceu mais prosaico do que de costume, e olha que praticamente eu não o uso. Me lembro agora que quando estava começando a me familiarizar com a leitura li em algum lugar que este sinal era complexo demais para ficar se usando indiscriminadamente, daí que brochei com ele. Mas sabe, ele anda me atraindo muito nos trabalhos que venho desenvolvendo, nas historias que venho escrevendo, e até nos sonhos que venho tendo. É estranho, mas o ponto e vírgula está cada dia mais presente, vibrando intensamente, ofuscando minha mente, como que querendo quebrar a casca do ovo e sair para do casulo, ver a luz, nascer…

Eu em!… Eu tô é ficando doido!
Mas não é mesmo estranho este sinal de nossa língua-mãe? O ponto e virgula é uma espécie de meio termo, uma pausa com um tempo próprio. Ele pede que paremos um pouco- não o suficiente para uma respiração, mas suficinete para… porque logo a idéia terá continuidade e daí haverá a conclusão… ou não. Talvez seja um elemento da língua próprio para confundir, esta pausa maior que a vírgula que também não é um ponto – e por isso mesmo não encerra nada, talvez seja um caprichoso elemento de confusão, de embaralhamento das coisas, algo típico da cultura lusitana – e também brasileira, na qual não se deve ser rigido demais numa posição, apesar de tê-la, promovê-la e professá-la. É a ambigüidade. Acho que é isso, o ponto e virgula é um sinal de AMBIGUIDADE. E é também um sinal dos tempos, o sujeito que começa ter a idéia fixa de usá-lo, precisa de tratamento.

Deve ser por isso que um dia alguém falou: não queira saber tudo, é perigoso.

sábado, 9 de janeiro de 2010

FILOSOFIA É OU NÃO É CIÊNCIA?



Tendo em vista que você considerou errada a minha resposta para a primeira questão da prova - “PARA VOCÊ O QUE É FILOSOFIA?”, tenho algumas considerações a tecer, tomando como premissa a sua colocação que julgo ter determinado o erro da minha resposta: “filosofia não é ciência”.

Se Filosofia é ou não ciência, isso é uma questão para se debater e se concluir conforme as capacidades de argumentação e de poder de influência das partes interessadas no embate, tendo em vista que o que determina que algo é ou não uma ciência está relacionado a aspectos mais políticos do que propriamente de uma investigação metódica sistemática de objetos empíricos ou não, vide o caso do surgimento de certas “ciências humanas” – como a sociologia, que só galgaram este status após serem defendidas por pessoas que alem de pesquisarem e sistematizarem conhecimento sobre um fenômeno social específico, também empreenderam atividade de influência (lobby) no seio da academia, no propósito de a terem – e naturalmente a financiarem - como um conhecimento de caráter científico. Ocorre que a consideração de algo ser ou não uma ciência também depende de aspectos culturais, visto que a numerologia pode ser uma ciência para certos povos, e para outros não passar de mero passa-tempo de gente arredia e “desocupada”.

A natureza da pergunta se dirige ao interlocutor de uma forma passiva, não inserindo no texto nenhuma ordem de comando prévia, da qual poder-se-ia pressupor que a indagação exigiria da resposta idéias que diferi-se da compreensão que o educando tem sobre o assunto.
A pergunta se comporta de forma a procurar saber o quê o educando particularmente considera ser a filosofia (PARA VOCÊ...). Se a resposta está entendível ou não, entendo que isto poderia ser considerado o fator de CERTO ou ERRADO, mas jamais através da minha sentença inicial “É a ciência que selecionou, sistematizou…”. Dizer que algo como a filosofia é ou não é uma ciência está mais no campo do gosto pessoal e – como já citei, nos contexto de disputa que o termo pode ser usado para os fins dos mais diversos.

Respondi que a filosofia PARA MIM “É a ciência que selecionou, sistematizou…” porque ela sempre me foi apresentada – desde o ensino médio, de maneira semelhante às outras matérias correlatas, tendo seus fundadores, os desenvolvedores e seus explanadores (professores) com as provas para auferir o conhecimento absorvido sobre os assuntos, como em todas as outras ciências. Ao mencionar a presença de questões do tipo “quem somos?” e “de onde viemos?” para exemplificar seu funcionamento, acho até que eu poderia está errado aí pela restrição de algo que pode ser encontrado em aspectos mais pragmáticos da vida, e não necessariamente só existencial. Mas neste caso eu estaria – pelo menos, meio certo.

Para citarmos um exemplo de como a filosofia pode ter o significado moldado conforme o interesse e contexto do pensador, vamos a alguém que é comum a nós pela recente obra que fomos obrigados a ler para… para… aprender a pensarmos?…
“…Tenho o sentimento oposto quando leio o código de Manu, uma obra incomparavelmente mais intelectual e superior; seria um pecado contra a inteligência simplesmente nomeá−lo juntamente com a Bíblia. É fácil ver o porquê: há uma filosofia genuína por detrás dele, nele próprio…”


Viu como o nosso adorável alemão relaciona o termo filosofia? Pelo texto não é difícil concluir que uma lei, um código, o código de Manu, é para ele algo como uma filosofia, seja lá o que este algo for; porque, convenhamos, filosofia pode ser para uns uma lei, uma religião, uma arte, uma técnica, uma linguagem, e para outros apenas uma desculpa para embasar e justificar um discurso de engabelamento dos menos providos de percepção intelectual.

Para Nietzsche filosofia pode ser uma lei, para mim é uma ciência, e a pergunta como está na prova estaria indiferente e ao mesmo tempo satisfeita com a posição de ambos. Não é mesmo?

P.S.: se filosofia não é uma ciência, por que o Ministério da Educação ao lançar o novo ENEM coloca esta “matéria” enquadrada na prova de CIÊNCIAS HUMANAS, onde também se encontram Sociologia, Historia e Geografia?

A PALAVRA CORINGA DA LÍNGUA PORTUGUESA



Por Roberty



A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA . Esta palavra de origem francesa MERD pode mesmo ser considerada um coringa da língua portuguesa.
-Vejam porque com os exemplos a seguir:
1) Como indicação geográfica 1: Onde fica essa MERDA ?
2) Como indicação geográfica 2: Vá a MERDA !
3) Como indicação geográfica 3: 18:00h – vou embora dessa MERDA .
4) Como substantivo qualificativo: Você é um MERDA!
5) Como auxiliar quantitativo: Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!
6) Como indicador de especialização profissional: Ele só faz MERDA.
7) Como indicativo de MBA: Ele faz muita MERDA .
8)Como sinônimo de covarde: Seu MERDA !
9) Como questionamento dirigido: Fez MERDA , né?
10) Como indicador visual: Não se enxerga MERDA nenhuma!
11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido: Por que você não vai a MERDA?
12) Como especulação de conhecimento e surpresa: Que MERDA é essa?
13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo: Ele está na MERDA…
14) Como indicador de ressentimento natalino: Não ganhei MERDA nenhuma de presente!
15) Como indicador de admiração: Puta MERDA !
16) Como indicador de rejeição: Puta MERDA!
17) Como indicador de espécie: O que esse MERDA pensa que é?
18) Como indicador de continuidade: Tô na mesma MERDA de sempre.
19) Como indicador de desordem: Tá tudo uma MERDA !
20) Como constatação científica dos resultados da alquimia: Tudo o que ele toca vira MERDA !
21) Como resultado aplicativo: Deu MERDA .
22) Como indicador de performance esportiva: O Framengo e os Vascainos não
estão jogando MERDA nenhuma!!!
23) Como constatação negativa: Que MERDA!
24) Como classificação literária: Êita textinho de MERDA sô!!!
25) Como qualificação de governo: O governo LULA só faz MERDA !
26) Como situação de “orgulho/metidez” : Ela se acha e não tem “MERDA nenhuma! ”
27) Como indicativo de ocupação: Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!
Retificando
25) Como avaliação de governo: FHC só fez MERDA!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

MARIA ANGULA

No ano de 2002 participei da oficina “Cinema Trash 2”, ministrada pelo jornalista, pesquisador e crítico cinematográfico Sérgio Moriconi. Foram discutidos a História deste suposto gênero cinematográfico, visto muitos filmes que se enquadrariam na seara (“A Volta dos Mortos Vivos”, “Fome Animal”…) e se discutido bastante o motivo daqueles cineastas fazerem aquilo, se era algo proposital ou se era resultado de desleixo estético, má formação profissional, ou a tão proeminente falta de recursos materiais e humanos que tanto assola todos nós. Pois bem: espontaneamente algumas pessoas começaram a cogitar que poderíamos com poucos recursos fazermos filmes semelhantes àquelas “porcarias” que víamos no projetor do Teatro de Bolso do Espaço Cultural da 508 Sul. E mais: poderíamos fazer o filme com uma câmara digital simples que algum aluno de nossa turma nos emprestaria, e tendo como atores as próprias pessoas do curso. E foi o que ocorreu. Dividimo-nos em 3 grupos, cada um apresentou seu roteiro em sala de aula. Eu mesmo fiquei responsável em adaptar um conto popular (ou seria uma lenda urbana?) que nos remetia aquela velha história da mulher misteriosa do cemitério que na verdade era uma alma penada ou algo mais ou menos assim… o título era “Maria Angula”. Gravamos em dois finais de semana – sem dúvida nenhuma os dias mais relevantes para mim naquele modorrento 2002 – e com muita dificuldade conseguimos editar o conteúdo, e colocamos em uma fita cassete VHS.


O grande desalento de toda esta peripécia é constatar que o filme jamais veremos outra vez, visto que a fita se perdeu, principalmente porque na época não havia nenhum YOUTUBE ou outro site do gênero, apesar de já haver internet a algum tempo. Não podendo postar e deixar armazenado nossa obra coletiva, acabamos tendo um pouco aquele sentimento de frustração, que certamente deve ter desanimado muitos de nós, jovens que por ventura gostariam de fazer cinema, e certamente gostariam de ter aquele material, nem que fosse para ser analisado por alguém que levasse em conta mais o potencial do que o resultado final alcançado. Eu mesmo só voltei a filmar 3 anos depois, nesta época até pensei vagamente que nunca mais faria CINEMA.


O incidente que fez o filme – que no caso era uma fita VHS, desaparecer foi muito pitoresco. A fita na qual o conteúdo final fora armazenado após a edição já havia sido usada (sim, levamos até as ultimas conseqüências uma das premissas do gênero: produção tosca e rebuscada, beirando e caindo no mais puro e autêntico desleixo). Um dos atores se prontificou a passar para uma fita virgem o material (será que iria fazer alguma diferença na qualidade de imagem e som este “procedimento tecnológico”?). este ator interpretara o coveiro da produção, e era o responsável pelo fio da narrativa, a única lógica perceptível naquela sucessão de situações irreais, fantasmagóricas e descabidas. Para o nosso infortúnio o ator reclamara que não havia ficado “muito bem”, que tinha tido uma performance sofrível, etc. Ora, este era o espírito da coisa, não havia – pelo menos para mim, nenhum motivo de se sentir menos por está interpretando mal num filme trash, afinal de contas este é um dos pilares do gênero, as interpretações sofríveis estão para o cinema trash assim como as explosões estão para os filmes de ação. Mas para o nosso ator – que na verdade era um pintor, isso deve ter deixado grilado, tanto que a fita chegou as mãos dele, e com ele era desapareceu, para todo o sempre.


É, a vaidade sim é que é trash.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

BAARÌA – Giuseppe Tornatore


Fui ver a abertura da “V Semana Veneza de Cinema”, que conta com a seleção de obras italianas exibidas na 66ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza, e o filme de abertura era esta película que aparenta ser uma autobiografia do diretor siciliano.


Nem me lembrava mais de “Cinema Paradiso” - o filme que projetou internacionalmente o cineasta, a não ser reminiscências da música, da poesia inocente, as peraltices do protagonista infantil, e o onipresente lirismo da cinematografia italiana; e todos estes elementos estéticos estão também em BAARÌA, com o grave porém de que agora Tornatore não é mais um quase iniciante que fez um eficiente filme dramático quase artesanal e que agradou a academia de Hollywood, não. Desta vez ele fez um filmão tipo blockbuster, mas absolutamente esquecível, comum, descartável.

Percebe-se claramente que dinheiro não faltou, a produção é luxuosa, e os atores deve ser o melhor que a Itália tem atualmente, pois todos, incluindo naturalmente as crianças, são ótimos. E com a exceção de 2 ou 3 cenas hilárias, onde a veia cômica dos atores se expressa magistralmente, o filme é uma chatice muito bem fotografada, com um excesso de musiquetas melosas que cansa os ouvidos de qualquer um, com cenas de melodrama típica de novela colombiana, ou até pior. Se não, vejamos…

O filme inicia com uma rápida sucessão de seqüências num vilarejo perdido numa região agrária da Itália, posteriormente saberemos ser a cidade natal do diretor, Bagheria. Estas seqüências são um misto de piada, demonstração da exploração social da classe trabalhadora, aspectos políticos e culturais do período fascista e muitas cenas escatológicas, nas quais eu destaco a que um homem ergue uma pesada viga de ferro nos dentes, e a grotesca comilança de um sanduíche, no qual um adulto enfia goela abaixo a baguete na boca de uma criança… para quem acha que isso é tudo deve preparar o estômago, pois mais na frente vai ocorrer coisa pior.

E o que falar das cenas de Plano Geral onde o povo aparece quase sempre correndo ou reunido num comício político? Todas cansativas desde o primeiro take, nenhuma se impõe necessária à narrativa, mesmo aquela em que ocorre porque os americanos chegaram na cidade e os poderes constituídos foram depostos, gerando uma onda de saques ao dito “patrimônio público” de Bagheria, é visivelmente dispensável, mesmo havendo uma piadinha no término, que nos faz sentir muita pena a utilização grandiosa de recursos para provocar algo menor que cócegas.

O ponto central é que o filme não tem uma linha narrativa definida, tem um protagonista mas não tem força dramática, não sabe se quer fazer-nos chorar ou sorrir (se tentou fazer as duas coisas ao mesmo tempo fracassou), e as cenas líricas são no mínimo clichê, clichê para quem sabe o mínimo de cinema italiano, onde sempre aparece as crianças deslumbradas com sua imaginação fértil, as agruras juvenis com os adultos da famíglia, as aventuras sexuais ingênuas da juventude, a máfia, a beleza apesar da pobreza… ora, já vimos tudo isso em Fellini, em Ettore Scola, em Rosselini, e até no dublê de ator Roberto Benigni.

Mas o pior de tudo é a pretensão política do diretor, querendo nos mostrar didaticamente que devemos participar da vida pública, exigir direitos, o cumprimento da lei, ir a luta, etc. Há uma seqüência das mais estapafúrdias e desacreditada que eu já vi em toda a minha vida de de observador eventual do cinema mundial, na qual o pai do protagonista no leito de morte balbucia suas últimas palavras enquanto espera a chegada do filho que está numa desapropriação de terra a lá MST: “A política é bela”, “a política é bela”… juro que eu esperava que o Roberto Benigni iria irromper a cena gritando “sim, é bela! A vida é bela! A Política é bela! O Belusconi é belo! Belíssimo!…” O diretor esqueceu o senso do ridículo.

Boa parte do filme é ocupada em mostrara as agruras de um camponês no seu processo de ascensão no partido comunista, este é o único fio condutor perceptível na história, e esta trajetória já pouco discernível é constantemente interrompida pra se mostrar uma piadinha (apenas 2 cenas me fizeram rir, incluindo a magistral tentativa de suicídio do irmão do protagonista), uma ceninha lírica, uma referência às crenças italianas que muito se assemelha às crendices de nós brasileiros, e assim o filme ocupa duas horas e meia enfadonhas, apesar da vibração.

Isso mesmo, o filme é vibrante, você quase acredita que está diante de mais uma produção hollywoodiana de ação, daquelas que tiros e explosões só cessam pra mostrar a bandeira estadunidense. Tem muita música, panorâmicas, Planos Gerais, gente correndo pra lá e pra cá, isso tudo é cinética, não é ação dramática, é movimento, não é emoção. Tornatore pisou na bola, gastou um dinheirão pra mostrar apenas que agora tem acesso a uma verba na qual ele usaria melhor se recriasse uma versão underground de “Cinema Paradiso”. Pelo menos teríamos a chance de rever algo que narrativamente funcionou, e não esta tentativa de expurgar traumas do passado através de uma cinebiografia exageradamente romanceada e ególatra.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

MICROCONTO sobre canção de Caetano Veloso



"Antes Assim do Que Viver Pequeno e Bom"

Nasce mais um desvalido nesta favela de convalescidos, economicamente todos perdidos, o que lhe restou de oportunidade foi o assalto, o roubo, a mediocridade e o infortúnio… o infortúnio de escolher logo eu, cantor popular renomado e admirado, sensível e um pouco mimado, extravagante mas sempre preocupado, atento às condições sociais do populacho, que diferente de mim não teve chances de se redimir, por isso veio até aqui, apontou a arma e sentenciou: perdeu! 
“Antes assim do que viver pequeno e bom”, diz ele com o treizoitão apontado pra minha testa, e eu cá comigo lembrando que aqui não é o Haiti. E se um dia ele fosse ver o Oludum na festa do pelô… E se um dia ele visitasse a casa de Jorge Amado… Não, ele não tem acesso, ele é um excluído, ele foi preterido, suas condições socioeconômicas são incompatíveis com a exigência educacional que precisa de alguém relativamente com bagagem cultural pra freqüentar o ambiente escolar e aprovado for por decorar ou colar na prova ótimo, passou, passar bem, nada mais. Ou se então excesso de auto-constrangimento do espírito pra se submeter e aprender o que os outros consideram o certo e o errado, sempre mostrando que o lado dele é o errado, a cor dele é errada, e que pessoas de sua raça – os pretos e os quase pretos que lotam os presídios, tem um papel social a cumprir de faxineiro à segurança, de vigia a trabalhador doméstico do lar doce lar do senhorzinho… ta bom, passar bem então. foi aí que eu entendi a sua exclamação: “Antes assim do que viver pequeno e bom”.
E a ele eu indaguei se conhecia o planeta Terra nas suas mais deslumbrantes erupções telúricas, perguntei-lhe sobre os leõezinhos – tão bonitinhos entrando no mato, e sua juba, perguntei-lhe sob os cachos das acácias e ele balbuciou, e também balançou, balançou a cabeça reclamando tonteira por ouvir tanta asneira vinda de uma pessoa só. Exigiu o dinheiro e que durante a ação eu ficasse calado, pois ele tem o estômago sensível e aquele papo é por demais desagradável. Eu, no orgulho fora metralhado, por aquelas palavras sinceras de um favelado, que diante de mim queria apenas uns trocados, pra poder ter o pão do dia e o crack pra curtir um “barato”, um barato que vai sair caro, pois ele vai morrer e todos vão esquecer de suas soberanas palavras ditas de espontâneo alto e bom som: “Antes assim do que viver pequeno e bom”.
E pouco antes dele partir tive a pretensão de lhe atingir, de súbito algo relembrei, uma estrofe funesta que um dia criei, elaborada sem pretensões revolucionárias, apenas uma insinuação bombástica, eu não apenas falei, eu gritei: GENTE NASCEU PARA BRILHAR!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A TELEVISÃO QUE NOS DEIXA BURRO DEMAIS

do leitor Sergio, do blog VI O MUNDO

A nossa imprensa é burra, muito burra demais
Eles mentem tanto que neles não acredito mais
Suas manipulações me deixaram desconfiado pro resto da vida
Agora meu dinheiro com eles não gasto, prefiro uma bebida

Ô cride, fala pra mãe
Que a Globo, a Veja e a Folha apoiaram a ditadura
Que enquanto uns morriam eles enchiam a burra
Ô cride, fala para mãe

A Folha disse que não houve ditadura, que nada
Foi uma Ditabranda e que só deu umas porradas
É que nossa imprensa é suja, muito suja demais
Eles querem seus aliados no poder para dinheiro ganhar mais

Ô cride, fala pra mãe
Que a Folha cedeu peruas para o DOPS dar umas escapadas
Que destes passeios muitos inocentes não voltaram para casa
Ô cride, fala pra mãe

A Veja e Mendes inventaram um grampo sem audio, que indecente
Tudo isto era para salvar Dantas e derrubar o presidente
É que nossa imprensa é golpista, muito golpista demais
Manipulam debates, eleições e pesquisas, isto eu não admito jamais

Ô cride, fala pra mãe
Que a Globo apoiou e enriqueceu na ditadura
Enquanto uns apanhavam eles disfarçavam na cara-dura
Ô cride fala pra mãe

Que o PIG está fazendo de tudo para fazer Serra presidente
Assim eles vão por a mão no dinheiro público com unhas e dentes
É que nossa imprensa é hipócrita, muito hipócrita demais
Fala em ética e moral, mas não as usam jamais

Ô cride, fala pra mãe
Que a Folha inventou uma ficha policial falsa da DILMA
Que não colou, então eles arrumaram um encontro com a LINA
Ô cride, fala pra mãe

Tem jornalista que vende uns pulhas como se eles fossem demais
Assim rola uma propina aqui, outra ali, e eles assim ganham mais
É que nossa imprensa é corrupta, muito corrupta demais
Por dinheiro protege os amigos e os outros esculhamba demais

Ô cride, fala pra mãe
Que eu já cancelei todas as minhas assinaturas
Vê se faz o mesmo criatura!

Ô cride, fala pra mãe
Que o PIG é uma doença sem cura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura
Ô cride, fala pra mãe!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O SEGREDO DA MAIOR BILHETERIA DA HISTÓRIA DO CINEMA


10 anos depois de ter visto este potente filme me ponho em condições de escrever uma crítica, um relato de minha experiência diante da grande obra.
Em 1998 eu estava muito ocupado trabalhando 44 horas por semana como office-boy de um hotel e concluindo o 1º grau no supletivo, e considerava que TITANIC era mais um filme arrasa-quarteirão (e era mesmo! só que tinha ALGO MAIS) feito para idiotas comedores de pipoca e bebedores de refrigerantes em salas escuras que passavam a maior parte do tempo conversando do que fruindo diante da projeção, uma atitude totalmente contrária a minha, que entro num cinema como quem vai a um templo religioso ter algum tipo de contato metafísico.
Achando que era mais um entretenimento de quinta categoria eu achava graça quando via as reportagens na TV sobre as filas diante dos cinemas, as matérias jornalísticas (ou seriam publicitárias?) diabeticamente açucaradas sobre o pintoso par romântico da trama, e diversos trailers promocionais disfarçado de curtos documentários, onde mostravam como fora feito os inovadores efeitos especiais daquele que era mais uma prova para nós tupiniquim de que CINEMA era coisa americana, mais precisamente uma coisa hollywoodiana. E aquilo só piorava a condição de meu ãnima, pois na época eu estava com minhas aspirações artísticas totalmente encobertas pelas necessidades imediatas, me auto-escamoteando, quase convencido que o fazer cinema não era pra um quase-excluído como eu, morador de um país periférico, onde o cinema brasileiro que se produzira e tinha repercussão na época ou era feito por um filho de banqueiro (Central do Brasil) ou por funcionária de alto escalão da Rede Globo (Carlota Joaquina, Princesa do Brasil). Não foi fácil!
Foi este preconceito acompanhado de uma falta de tempo considerável e ainda a proeminente condição de poucos recursos financeiros que me levou a não ir até o cinema para ver aquilo que eu julgava ser mais um entorpecente que a grande indústria cinematográfica do planeta produzira para que incautos cidadãos se esbaldassem e esquecesse por alguns minutos suas vidinhas de classe média, mediana, medíocre, meia-boca. Não ter visto TITANIC na tela grande é uma das coisas que mais me arrependo em termos de apreciação estética.
TITANIC, como grandes produções da história da cinematografia mundial, foi um filme pensado para ser grande, para ocupar espaço vasto, como “Guerra nas Estrelas”, “E.T.”. como tantos outros esta produção também foi desenvolvida para conquistar milhões dementes e corações, em todo o mundo, em todo o lugar onde houvesse a possibilidade de platéia com os recursos para a aquisição dos ingressos. E como estes que eu já citei ele conseguiu o seu intento, só que ele foi o maior, e talvez estas minhas considerações a respeito ajude a compreender o porquê.
James Cameron desenvolveu na sua narrativa a perspectiva de dois gêneros: o romance de época e o filme catástrofe, usando de todos aqueles componentes indispensáveis para o bem-sucedido modelo de negócio da indústria hollywoodiana: o Star System (jovens beldades celebridades encabeçando o elenco) e efeitos especiais que só podem ser apreciadas com melhor deleite apenas os conteúdos produzidos para a mídia CINEMA (a fotografia na telona e o som surround). Nisto ele faz com maestria. Desde o início do filme até o momento onde ocorre o Ponto de Virada para o Clímax do último ato – o choque do navio com a ponta do iceberg, transcorre uma eficiente narrativa de um Out Sider, um bacana que entra de boa no navio, que diferente da letra da música do Herbert Viana - apesar de ter entrado de gaiato, ele não entrou pelo cano (apesar de que ele vai ficar preso em um mais adiante na trama) “se engraçando” com uma moça de “boa família”, ela que está sendo forçada a adentrar num relacionamento a contra-gosto, em nome do bem estar material da família, principalmente da sua mãe (ou era tia?), algo tocante e que poderia render bastante momentos dramáticos, mas que o roteiro corretamente não se atem, visto que o foco do drama ali é outro, Camaron sabe muito bem por onde este rio tem que correr, e ele e seus colaboradores roteiristas souberam dosar, expondo o estritamente necessário sobre a personagem da Kate Winslet.
A partir do momento que o relacionamento dos dois é efetivado, nós temos uma recompensa sensacional: a cópula do casal protagonista é a consumação de um desejo nosso que fora perfeitamente construído pela empatia provocada mais pela situação das personagens em seus contextos do que propriamente a performance das “estrelas”, efeito que poderia ser conseguido com qualquer outro ator e atriz de modesta categoria. Nós ficamos felizes com eles terem se amado, mas a aventura romanesca dá uma pausa aí. Se o filme terminasse aqui poderíamos ter mais uma obra romântica, um draminha até razoável se tomarmos como parâmetro as trocentas porcarias que agente ver por aí. Seria uma aventura lírica tendo o mar como pano de fundo e como cenário o maior navio de todos os tempos. Tenho certeza que a maior parte do público feminino já se daria por satisfeito se os créditos subissem após o choque com o iceberg e o afundamento sem demora da nau. Mas é aí que começa o filme de verdade, não apenas a parte mais dramática e consistente da história, aquilo que fez milhões de pessoas adorarem e propagarem boca-a-boca que o filme era “supimpa!”, mas aquela mais prenhe em signos do nosso inconsciente coletivo.
A parte catástrofe do filme começa com a batida na montanha de gelo submersa, e se desenrola de maneira magistral, com eventos de uma originalidade espantosa, sendo que a principal nos remete a diversos significados, conceitos e paradigmas de um mundo que houve, que há e que ainda teima em permanecer: a divisão e condição material das pessoas pela sua atividade profissional. A partir do momento que percebemos que a população dos subterrâneos (melhor simbologia social impossível) ficou presa em suas dependências tendo a água do mar invadindo velozmente seus aposentos, pondo em perigo e morte eminente todos eles, e ainda a provável escapatória do pessoal lá de cima, dos membros da classe dominante nos poucos botes salva-vida que há disponível, sentimos aquele sentimento de revolta, de insulto, de desejo por um levante, e ele vem, e sabe quem são os heróis deste “Proletariado Uni-vos”? sim, eles próprios. Mal estão recuperados da trepada já embarcam nesta puta empreitada, tomam o partido daqueles “mal-nascidos” e procuram salvá-los, os dois, arriscando suas próprias vidas, arriscando a perda de tudo, inclusive a ascensão social de um, já que a mocinha da trama estava prestes a receber uma espécie de dote se subisse com os sovinas e escapasse compartilhando o conforto e a indiferença da burguesia.
O que mais é necessário para que nos apaixonemos pelo casal? Aqui não é mais uma questão de empatia, pois o que sentimos com a criação desta situação dramática é a mais pura simpatia pelas aqueles jovens “pombinhos” de caráter e atitude, tentando o que aparenta ser impossível. É sensacional! A partir daqui nós iremos torcer pela imortalidade dos mesmos, querendo que vivam felizes para sempre, até mesmo na pobreza e na riqueza, na doença e na saúde, e em tudo o mais que o padre mandar. É a partir deste momento da trama e até o fim que os olhos dos espectadores do mundo inteiro começaram a brilhar radiantemente.
Se já não bastasse estarmos embevecidos com tamanho heroísmo dos protagonistas, ainda temos o deleite de observar uma situação poética das mais lindas na história do cinema: a cena em que os músicos param a canção instrumental no meio do tumulto, vão aos poucos deixando a música para também começarem a correr feito loucos como estão fazendo todos, e de súbito um deles se recusa a ser mais um “maria-vai-com-as-outras” e retorna para o mesmo local da performance e volta a tocar a canção, e logo é compreendido pelos outros músicos, que retornam e voltam a acompanhá-lo na suave melodia, mostrando num só golpe que apesar do perigo eminente o importante é fazermos aquilo que amamos. A arte acima de tudo, era este o significado por trás da encenação. É arrebatador!
Daí por diante agente vai acompanhar a efetividade dos efeitos especiais de um filme catástrofe, potencializada com o fato de que nós estamos torcendo para que o casal protagonista – que a esta altura nós o consideramos seres virtuosos e merecedores das maiores honrarias que por ventura há no mundo daquela época, escape sãos e salvos. Por fim nós não consideramos piegas (pelo menos eu não achei) aquele ato “cavalheresco” da personagem do Leonardo Di Caprio em deixar que a moça ficasse sobre o objeto enquanto ele congelava lentamente. Aliás, esta foi uma das mortes mais “bonitinha” da história do cinema, totalmente correta dentro do contexto do gênero filme de amor, onde o rapaz se despede da amada indo para o outro mundo com um aspecto belo, limpo, quase blasé, algo que importa muito para os gostos médio da mulher ocidental, pois não tenho dúvida que foi esta mesma que impulsionou e fez o natural boca-a-boca para tornar aquele filme a maior bilheteria de cinema da história.
Em pensar que James Cameron era um caminhoneiro… mas não um caminhoneiro qualquer. Ele era um caminhoneiro inventivo que desmontava os motores dos caminhões, e depois foi desmontar as câmaras de vídeo, e depois desmontou esta tragédia histórica, e a transformou neste filme de época fascinante, comovente, alem de ter remontado e incrementado o gênero romântico. A história é recheada de camadas subterrânea de heroísmo, que nos fez ficar hipnotizado pela ação dos protagonistas, muito mais do que pelos efeitos especiais, algo que sobrava no seu insosso e também marítimo “O Segredo do Abismo”, uma ficção-científica que não tinha nenhum segredo, mas um vistoso e explícito fracasso de narrativa cinematográfica.