sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Debatendo sobre Direitos Autorais a partir de comentário do F.F. Coppola


             O Coppola deveria ter feito como o Terrence Malick: realizado suas obras-primas (Poderoso Chefão, ApocalipseNow) na década de 70 e se retirado de cena pra curtir a majestade. Mas não, ficou fazendo cada coisa estapafúrdia (Peggy Sue, Vidas Sem Rumo, etc.) e ainda tocando o negócio do vinho, deu nisso... ta um velho gágá, falando obviedades como o que desencadeou a remuneração direta do artista (que não por acaso está associado ao nascimento da industria de exibição cinematográfica). Ora, todos nós sabemos que antes havia a figura do mecenas (burguesia) e mais antes ainda a figura do estado/igreja, e só, era algo restrito, para poucos. Foi a revolução industrial que, como em todas as outras atividades econômicas da vida, possibilitou uma grande quantidade de recursos para variadas classes de trabalhadores (daí que alguns teóricos sociais chamaram isso de sociedade de classes), incluindo aqueles que eram classificados como artistas, principalmente atores, por causa de sua centralidade e identificação na obra cinematográfica; foi a partir daí, incluindo a sua organização em sindicatos – mais industrial que isso impossível - que surgiu e se desenvolveu não só a remuneração para artistas, mas também as fortunas para os mesmos, tendo em vista os altos ganhos de circulação que a obra cinematográfica tinha e – apesar de toda a digitalização e “pirataria”, ainda têm.
       A indústria cinematográfica é que catapultou todas as outras atividades ligada a criação, basta pra isso verem a evolução da indústria do disco/gravação, que se beneficiou decisivamente das inovações do processo de áudio para a 7ª arte. Mas eis que inventaram um negócio de informática, associaram às telecomunicações, liberaram para todos os cidadãos “comuns” e surgiu a internet, da mesma forma que o motor que fez girar as primeiras linhas de produção industrial, veio repentinamente e se consolidou rapidamente: uma revolução. E naturalmente num novo ambiente novos modelos de negócio são necessários, o velho só se sustentará por força econômica/estatal (vejam a briga inglória dos estúdios Disney com o seu Mickey), mas apenas enquanto uma outra força de produção não lançar novas bases de remuneração abrangente, o que pode estar prestes a nascer nos escritórios do Google, do Facebook, da Amazon, da Apple (tinha que ter uma empresa brasileira, não é mesmo?... que pena!), por exemplo.
       Observem o fenômeno de captação de recursos através das redes, crowndfunding, a mobilização social para determinadas causas (a WIKIPÉDIA, lembra?)... Existem hoje possibilidades de remuneração nunca antes existente para aqueles que são criativos, mas o sujeito tem que entender que o Copyright pertence ao mundo industrial, analógico, e não ao mundo digital, de todos em rede, da livre circulação do conhecimento... século XXI, entende?! O mais importante: sujeito que quer ganhar dinheiro nos dias atuais com sua arte deve sim mobilizar os iguais, etc., mas entender que formar sindicato não irá ajudar em nada, talvez até formar uma sociedade arrecadadora de direitos autorais ou se filiar a uma seja inócuo, mais importante seria trabalhar para o desenvolvimento de software de rastreamento de sua obra e a computação de visualizações no ambiente virtual (ou pagar alguém para monitorar isso), e a partir daí trabalhar a monetização disso no mundo real.
       Então, quando o Sr. Coppola fala que talvez artistas não deveriam ou precisariam ganhar dinheiro ele diz isso do alto de sua produção vinícola, não tem sustentação nenhuma com a realidade; e quando ele questiona que a arte não custa dinheiro é porque a demência está avançada e seria necessário camisa-de-força, para o bem da tranqüilidade social.      

Gil na polêmica do creative commons

no blog do Luis Nassif 
©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

MONTAGEM PARA O GÊNERO DE DIÁLOGO



Partindo da perspectiva de Sergei Eisenstein de que a montagem “é uma propriedade orgânica de todas as artes”, podemos encontrar essa característica de edição de diálogo já na literatura, e por conseguinte nos textos onde o diálogo tem uma presença mais preponderante, como é o caso da dramaturgia, o texto teatral. Não é por acaso que os primeiros filmes da historia do cinema é considerado por historiadores como uma espécie de teatro filmado, e também não nos surpreende que o ilusionista Georges Méliès seja um dos precursores da 7ª arte, que alem de usar inventivos efeitos fotográficos para criar mundos fantásticos, manipulava a edição de forma a induzir diálogos, mas diálogos teatrais, tanto que na hora da fala ele “cortava” para um PG (Plano Geral) como que tentando simular uma perspectiva de alguém que estivesse numa platéia de casa de espetáculos.

A influência do teatro na montagem durou até o momento que europeus e americanos perceberam o quanto poderia ser feito com a montagem para reduzir o tempo de projeção de uma cena – diminuindo custos de produção, acelerar a narrativa, iludir o telespectador na relação tempo fílmico e tempo real, e – principalmente para os artistas, estabelecer novas estéticas a partir da manipulação, ordenação e tempo de exposição dos quadros para os vários entendimentos que isso poderia provocar no público de cinema, que logo – a partir da repetição de procedimentos, se “educou” e assimilou a nova maneira de assistir um filme, no qual a edição ficou quase invisível em algumas ocasiões, e totalmente explícita em outros casos (a
Montagem Paralela de Eisenstein e a estripulia de Acossados são bons exemplos deste “exibicionismo técnico”). A criação dessa linguagem relegou ao diálogo um papel fundamental para o tipo de gênero de filme que o artista ou/e o produtor escolhesse realizar. Ao observar obras do gênero drama podemos observar a predominância do diálogo em todo o escopo do filme, tanto mais se o mesmo for de realizadores oriundos do mundo teatral, como é o caso de Ingmar Bergman, onde a predominância de temas existencialistas em sua obra levou a caracterizar o diálogo um elemento crucial de sua obra. Mas a edição dos diálogos nos filmes do grande realizador sueco é algo tão maçante que chega a jogar contra a obra, tornando elemento quase sem função, pois através do mecanismo Bergman não acelera nem torna mais lenta os momentos de diálogo do filme, pois o realizador trata estes momentos de maneira quase a tentar simular a interação que ocorre num palco de teatro. O contrário está evidente nas obras onde a literatura contemporânea, é a base do filme ou inspiração para a realização audiovisual.


Dentre os realizadores contemporâneos onde o diálogo está demasiadamente estilizado – ao contrario de Ingmar Bergman, destaca-se
Quentin Tarantino, principalmente em seu Pulp Fiction, não por acaso obra baseada em literatura dita “barata”, “popular”, típica da Indústria Cultural de Massa. Nesse filme o cineasta americano abusa de posicionamentos de câmara não-convencional para apresentar um diálogo, como na cena em que a câmera se localiza dentro do porta-malas de um carro enquanto os protagonistas do filme conversam e carregam suas armas. No transcorrer desta seqüência veremos o uso estilizado da edição nos diálogos, principalmente na seqüência dentro do elevador quando não há cortes, mas a câmara “vira” para o personagem no qual a fala é esperada e fica suspensa até o enquadramento. Depois temos um grande plano seqüência no caminhar dos mafiosos pelos corredores do prédio – que irá funcionar de forma oposta a cena seguinte dentro do AP, e no momento que eles estão de frente da porta do AP. Toda essa seqüência segue o mesmo raciocínio, o mesmo discurso, aliás, uma discussão sobre hambúrguer de queijo, acho que da Holanda, etc. O diretor escolhe várias maneiras de cortar o diálogo em conformidade com os ambientes nos quais os mafiosos vão passando, mudando a maneira que o diálogo é apresentado em conformidade ao ambiente, ambiente este que mudará o diálogo ao adentrar no AP onde haverá o grande ápice da seqüência, com as mortes. Nesta cena os diálogos são cortados não conforme as interrupções das falas por aqueles que estão em posição de vantagem, o que seria algo lógico; mas a edição segue o discurso predominante, principalmente no momento do sermão da personagem Jules Winnfield, mantendo-se estático em toda a fala da personagem, interrompido apenas pelos tiros do parceiro mafioso.


A edição é um recurso da linguagem cinematográfica que se realiza no diálogo de forma distinta em gêneros de filme obviamente distintos, e isso sem dúvida fica claro em obras de cineastas tão discrepantes como o clássico Ingmar Bergman e o “modernoso” Quentin Tarantino. Ou seja: a edição do diálogo – como toda a forma que circunda o conteúdo de um filme, depende da linha mestra narrativa da obra, que irá determinar o seu parâmetro de funcionamento. Na arte do cinema todos os elementos estéticos estão subordinados à narrativa, e as narrativas se diferenciam conforme seus gêneros. É claro que existe realizadores no qual seu grande fetiche é se ocupar da estética, talvez porque ainda não perceberam que o cinema é o mais sofisticado espaço de contação de historia
(storytelling) que temos – no qual literatura e teatro o antecederam, e não do exibicionismo de funcionalidades técnicas de como funciona a máquina de captar e projetar imagens numa seqüência que crie a ilusão de movimento para o olho humano.



©©
pode usar este conteúdo,
sem alterar ou vender,
mencionando o autor

sábado, 20 de novembro de 2010

Resposta a mais um artigo sobre o tal "Apocalipse Tecnológico" que nos espreita


Mais uma versão catastrófica sobre a Inteligência Artificial, quero ver as abordagens positivas, quero ver a eliminação da fome por tecnologia robótica, quero ver a eliminação de qualquer trabalho repetitivo e monótono pelo fato de poder ser executado por máquinas, quero ver o sistema educacional dar um salto de qualidade e levar consigo boa parcela da humanidade pelo fato dos processadores e memórias de computadores poderosos chagarem ao ponto que qualquer um poderá ter consigo bastando ter acessíveis celulares pré-pago que armazenarão e processarão rápido todo o conhecimento da humanidade, igualando todo o ser-humano naquilo que até hoje é o elemento crucial para a existência de senhores e escravos, mesmo isso estando travestido de “relações trabalhistas”.

Tenho certeza que vc, amigo RK, é uma pessoa qualificada para escrever um bom texto sob este viés, e vamos deixar de considerar que tudo que venha do homem é mal e venenoso, nós sabemos bem que ao longo da história as invenções de grandes cientistas foram usadas pelos governos para fins militares, e só depois de algumas mortes e destruições em massa é que tiveram uma utilidade menos beligerante.

Nós podemos construir o paraíso sobre a terra, temos conhecimento suficiente para isso, e a tecnologia será nossa aliada.

@gledsonshiva

terça-feira, 2 de novembro de 2010

As distorções da Lei Rouanet


"3. O recurso do mecenato não é público. É privado. Concordo que ele tenha natureza pública e deve ser investido em iniciativas com essa característica. Mas o Estado abre mão daquele recurso em nome de propostas previamente aprovadas por um sistema complexo, que inclui a iniciativa de agentes culturais, acompanhamento e aprovação da sociedade civil (CNIC) e regulação governamental. "

Irei comentar este tópico, tendo em vista que os outros dois estão em aberto, pois em um depende de uma pesquisa queira Deus alguém a realize, e o outro é a interpretação de cada um sobre o que entenderam do PL em tramitação que revoga a Rouanet e institui o ProCultura.

Mas o tópico 3 é fácil de rebater:
Pelo amor de Deus, Leonardo! vc sabe tanto quanto eu que o fato do empresariado dizer que vai utilizar o imposto seu pra aplicar num projeto cultural não transforma este recurso em algo privado. O que nós estamos chamando aqui de MECENATO (conforme a interpretação da Lei Rouanet) é uma mudança da finalidade de um recurso, que iria para o cofre da UNIÃO, mas que pode - através da lei - ser aplicado em um projeto cultural, mas isso - definitivamente! - não transforma o recurso público em privado. Sem chance!

A questão não apenas que ele deva ser investido em projetos com características públicas, mas que ele cumpra critérios de, por exemplo, acessibilidade (ser realizado em teatros com rampa para o deficiente físico, o idoso, etc.), democratização do acesso (preços populares) e não o absurdo do show da estrela da MPB todo na base da rouanet cobrar R$ 100,00 por cabeça, e o que dizer do escândalo Cirq du soleil?!!! E todos nós da área sabemos que ha empresas que usam - na moita - esse mecanismo para ampliar as atividades das creches (contratação de uma peça infantil) do ambiente interno de suas organizações, para melhorar o passa-tempo das filhos e filhas dos funcionários destas organizações, enquanto eles dão duro no escritório, ou seja: um uso privado do recurso público.  Essas exigências - acessibilidade, democratização, etc. - já estão presentes na legislação atual, e a partir do ProCultura se intensificará, englobando aspecto de distribuição regional, etc.

Pra acompanhar esta discussão entre no blog Cultura e Mercado

sábado, 9 de outubro de 2010

ANÁLISE DA FOTOGRAFIA e PITADAS CRÍTICAS À "CIDADE DOS SONHOS" (Mulholland Drive)

No processo de encobrir o que é sonho e o que é realidade, o diretor David Lynch usa de alguns procedimentos bastante comuns em filmes que combina os gêneros suspense e mistério, tais quais a câmara sobre o ombro do operador para simular o ponto de vista do ator (Câmara subjetiva), uso das lentes para produzir bastante desfoque (óbvio para um enredo que inicia-se com alguém sem memória) e a cor forte (vermelho ou azul) em objetos chaves para a solução do mistério.

A iluminação é basicamente naturalista com alguns momentos de estilização, como nos planos do escritório de um velho que tem ao lado uma espécie de mordomo, onde a luz dos refletores está cortada por bandôs para iluminar exatamente pontos específicos (a cortina vermelha, por exemplo); no início quando vemos a simulação da luz da lua feito com um forte azul atrás de um conjunto de árvores; na cena que ocorre no teatro e também nas cenas mais terríveis onde prevalece o escuro, baixa intensidade da luz e geralmente o uso de apenas um refletor, a tal da luz de preenchimento. 

       O filme tem essa relação de iluminação que reflete o dia-a-dia padrão/normal/convencional e uma outra que nos remete ao mundo dos sonhos, do delírio, de um estado alterado de consciência, algo típico de uma mente que sentencia: “nós vivemos num mundo escuro e cheio de problemas” (fala extraída de uma entrevista do cineasta americano para uma rede de TV brasileira). Toda a força do filme está na trama e nesses elementos estéticos como a fotografia, a arte, a trilha-sonora, etc.; ele não traz nenhum valor, um filme oco, sem nada dentro, sem conteúdo que produza significados ou resignifique algo, nem mesmo os elementos estéticos que são trabalhados, pois todos são típicos dos gêneros já mencionados.

domingo, 26 de setembro de 2010

Crítica ao desalento de certos "estudiosos" sobre o fenômeno das TICs


Venho pesquisando a produção em Mídias Digitais e apesar de haver de fato “a reprodução de padrões e conteúdos massificados, seja por meio de fan-fictions, paródias ou versões caseiras de franquias da indústria cultural” – como bem descreve certos estudiosos deste novo momento midiático, noto que estamos no limiar de uma nova era que desembocará em criações e inovações no audiovisual, tanto por parte do segmento relacionado à produção narrativa, como o fenômeno da produção de imagens ao vivo (Cinema ao Vivo), basta olhar com mais cuidado na internet, sem antes recorrer ao ranking de vídeos com mais visualizações no YouTube.

Agora analisaremos a perspectiva pessimista de determinado grupo social em relação a apropriação das novas mídias.

“O multiprotagonismo, nessa perspectiva, não significa necessariamente promoção da diversidade cultural”.
                            
Resta saber o que o autor considera “Diversidade Cultural”, pois é sabido que o fenômeno da música brega (ou romântica popular para alguns) é considerado por certa “elite” uma apropriação do gosto popular, e que foi trabalhado nos preceitos da indústria cultural para a sua colocação no mercado. Ora, não precisa pesquisar muito para ver em comunidades virtuais a grande adoração de pessoas por este gênero, no qual eu tenho certeza irá se materializar logo logo em outras linguagens artísticas – audiovisual por exemplo, e isso é possível graças às novas tecnologias de informação e comunicação. E caso o autor entenda que Diversidade Cultural não pode contemplar um FUNK, é melhor desconsiderar as remixagem que a galera faz com determinados vídeos que aparecem no YouTube, sendo o caso do Funk do Jeremias (e de toda a família) um caso salutar, exemplo formidável da inventividade.

  
“Não quero minimizar o grande potencial revolucionário da cultura digital”.

Por favor, observem determinadas comunidades no ORKUT (sim, o FACEBOOK tupiniquim já ta muito “elitizado” e por isso estagnado no aspecto invenção) com nomes exóticos ou depreciativos (Filmes Trash) e perceberá a avalanche de produção infantil, realizada totalmente por crianças, não apenas com WEBCAM e celular, com som razoável, e edição convincente. É claro que os temas são banais, mas já há crítica a indústria cultural, como o caso de uma galera que tirou onda dos programas jornalísticos estilo “sangue a qualquer custo”. Talvez ali você perceberá, nem que seja em semente, uma nova maneira de encarar os meios, de contar suas historias e de se posicionar diante do mundo, se isso não for Diversidade Cultural...

“Ainda há muito espaço para se conquistar nas redes e processos colaborativos relacionados ao audiovisual, mas as brechas estão cada vez mais fechadas e os obstáculos difíceis de transpor”.

No meu entender a brecha fechada é o que de fato queremos enxergar e o que deixar na penumbra, pois o maior obstáculo hoje em dia é a quebra da neutralidade de rede proposta pelo poderoso google, no qual se quer dar mais velocidade de conexão a determinadas usuários no acesso de determinadas páginas, monetizando esse processo.

É verdade que há muito espaço para se conquistar nas redes, e por isso vamos torcer para que o Plano Nacional de Banda Larga cumpra este desafio para nós brasilei@s. Não nos esqueçamos que processos colaborativos também há entre os gigantes, que se unem para atingir seus objetivos legitimamente, diria até instintivamente, e isso não os difere de quem atua isoladamente ou com menos recursos, pois talvez estes ainda não tenha capacidade de articulação ou simplesmente não queira atuar em grande escala.       

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CAMPANHA SALVE O CINE BELAS ARTES


No final de março deste ano, o banco HSBC interrompeu o patrocínio ao cinema Belas Artes, um dos poucos cinemas de rua que ainda existem em São Paulo, que possui programação diferenciada e de alto nível. 

Localizado na esquina das avenidas Consolação e Paulista, ele poderá ter suas portas fechadas após 43 anos de funcionamento.  No início do mês de abril, André Sturm, sócio-proprietário do Cine Belas Artes, iniciou uma batalho para conseguir um novo patrocinador, infelizmente sem sucesso até o momento.
Inconformada com a possibilidade do fechamento, Marie-France Henry, proprietária do Restaurante La Casserole, reuniu outros 16 restaurantes para criar uma campanha de Apoio, batizada de “Salve o Belas Artes: Tudo Pode Dar Certo” (segue abaixo a relação dos restaurantes e a forma de funcionamento da Campanha).

Ajude-nos a buscar uma forma de não permitir o fechamento de mais uma sala de cinema na cidade de São Paulo. Mais informações sobre o projeto de Patrocínio com: Léo Mendes (11) 5093.0839 – 5041.0133.

Funcionamento da Campanha: No momento do fechamento da sua conta em um dos  restaurantes listados abaixo, você autoriza uma contribuição no valor de R$ 5,00 para a Campanha e recebe um ingresso para assistir um filme no Cine Belas Artes. Este ingresso será carimbado no momento em que você for ao cinema e ele passará a valer uma sobremesa no mesmo restaurante, em sua próxima refeição.


Arábia
Rua Haddock Lobo, 1.397 - Cerqueira César
Telefone: 3061-2203
Sobremesa: qualquer doce árabe

Arábia Café
Praça. Vilaboim, 73 - Higienópolis
Telefone: 3476-2201
Sobremesa: qualquer doce árabe

Amadeus
Rua Haddock Lobo, 807 - Cerqueira César
Telefone: 3061-2859
Sobremesa: Sfraciatelli (doce siciliano com frutas secas, mel e sorvete de creme)

Eñe
Rua Dr. Mario Ferraz, 213 - Jardim Europa
Telefone: 11 3816-4333
Sobremesa: Crema catalana

Ici Bistrô
Rua Pará, 36 - Consolação
Telefone: 3257-4064
Sobremesa: Terrine de chocolate



Tappo Trattoria
Rua da Consolação, 2.967 - Cerqueira César
Telefone: 3063-4864
Sobremesa: Semifreddo de chocolate

Diner 210
Rua Pará, 210 - Consolação
Telefone: 3661-1219
Sobremesa: Cup Cake

Tordesilhas
Rua Bela Cintra, 465 - Consolação
Telefone: 3107-7444
Sobremesa: Pudim de tapioca com baba de moça

Mestiço
Rua Fernando de Albuquerque, 277 - Consolação
Telefone: 3256-3165
Sobremesa: Frozen Iogurt com caldas variadas

Dona Onça
Avenida Ipiranga, 200, lj. 27/29 - República
Telefone: 3257-2016
Sobremesa: a definir

Adega Santiago
Rua Sampaio Vidal, 1.072 - Jardim Paulistano
Telefone: 3081-5211
Sobremesa: Pudim de doce de leite

Così
Rua Barão. de Tatuí, 302 - Vila Buarque
Telefone: 3826-5088
Sobremesa: Tiramisú ao mascarpone artesanal

Dui
Alameda Franca, 1.590 - Jardim Paulista
Telefone: 2649-7952
Sobremesa: Fondant de chocolate e doce de leite, farofa de café e sorvete de canela

La Casserole
Largo do Arouche, 346 - República
Telefone: 3331-6283
Sobremesa: Crêpes Suzette

Martin Fierro
Rua Aspicuelta, 683 - Vila Madalena
Telefone: 3814-6747
Sobremesa: Alfajor de chocolate

Rua Cel. José Eusébio, 105 - Higienópolis
Telefone: 3159-1197
Sobremesa: Banana ouro grelhada, creme de iogurte e doce de leite, farofa de biscoito e castanha do Pará

Obá
Rua Dr. Melo Alves, 205 - Cerqueira César
Telefone: 3086-4774
Sobremesa: Massa crocante mexicana, sorvete de creme, melado de rapadura e canela com farofinha de milho seco

sábado, 14 de agosto de 2010

RUMOS DO CINEMA BRASILEIRO

O cinema brasileiro entendido como o mercado nacional de produção, distribuição e exibição de conteúdo audiovisual para as telas das salas de cinema vai - segundo um grupo de pessoas, muito bem, em franca expansão depois da hecatombe provocada pela extinção da EMBRAFILME no governo collor. Mas para alguns mais céticos o fato de termos 15% do mercado, uma cota de tela, vários mecanismos de financiamento – direto e indireto, filmes concorrendo ao oscar, etc., não significa que haja um mercado nacional de cinema, muito menos que ele está em expansão, pois estes observam que há simplesmente uma reacomodação após o desastre da produção do início dos anos 90, e que o grande problema é a concentração da distribuição nas mãos das majors que na verdade atua de forma incisiva através da Motion Pictures Association, fazendo com que o filme nacional não tenha o devido espaço e respeito junto aos exibidores. Já a questão da exibição nos remete a mudança de orientação mercadológica que se processou nos anos 80 e 90, no qual o cinema deixou de ser popular e passou a se destinar à classe abastada de nosso país, explicação detalhada que pode ser verificada neste artigo aqui.

terça-feira, 20 de abril de 2010

ANÁLISE SOCIOLÓGICA DO FILME “NA NATUREZA SELVAGEM” (Into the Wild )


 
DIALÉTICA DO RETROAGIR


       Peter Berger sentencia: “…e pode acontecer, naturalmente, que o homem se afogue nas ondas que ele próprio produziu”. Mas quais foram as ondas que o protagonista da aventura produziu e nas quais ele se afogou, como se o feitiço virasse contra o feiticeiro? Ora, pelo que se ver no filme ele gosta das ondas, e as aproveita muito bem num banho matinal. Brincadeiras a parte, tentemos entender corretamente o que o Peter Berger quer dizer com este “homem”. Uma coisa é o “homem” que produz a onda, outra coisa é o (s) “homem (s)” que institui a onda como algo obrigatório, e outra coisa totalmente diferente é o “homem” que transgride esta “obrigatoriedade da onda”, tratando-a de modo diferente ou simplesmente ignorando-a. Juntar tudo e botar no mesmo balaio é ter uma atitude nada científica.

         Sou contra o excesso de repartições, separações, diferenciações que marcam a formalidade da pesquisa científica para o entendimento dos fenômenos, mas considero indispensável separar grupos de pessoas que compõem as mais variadas sociedades, a saber: CRIADORES, INSTITUCIONADORES, e REINVENTORES. Colocar estes três num mesmo processo ou até na mesma pessoa pode servir para a feitura de uma fábula, mas para entendimento de um fenômeno social é inócuo, é um engano, é reducionista e simplório, visto que a mesma pessoa jamais irá desempenhar as três funções ao longo da sua vida; o fenômeno ocorre ao longo da historia, mas sempre com pessoas diferentes. Não ocorre a dialética do retroagir no filme “Na Natureza Selvagem”, apesar que isto poderia ser usado para melhorar dramaticamente o fraco roteiro. A personagem realiza o seu intento de viver na natureza como um selvagem (até onde se pode conceber, visto que aquela espingarda não tem nada de natural). Até porque, conforme a concepção do Sean Penn ao desenvolver a trama, houve um desfecho positivo, como que uma realização de um sonho. Mesmo a personagem sucumbindo no mundo do qual ele buscou e encontrou, não dá pra considerar isto uma dialética do retroagir. Não sei no livro, mas houve no tratamento da historia do filme um final feliz que foi buscado desde o início pelo protagonista, e efetivado ao final da trama.



ENTIDADES HIPOSTASIADAS


       A historia do filme, a motivação fundamental do protagonista, só ocorre porque ele considera as entidades hipostasiadas meras formalidades que não lhe impressionam – não lhe causam medo nem interesse de possuir, das quais ele as queima (dinheiro), rasga (cartão de crédito), ignora (família) e muda-a (seu próprio nome) sem cerimônias, sem procurar a autorização ou/e a confirmação de outrem, enfim: ele não reproduz a sociedade nos processos de conversação, visto que “o outro” é totalmente dispensável ao seu propósito de vida. Para o protagonista muito mais importante que um carro novo é seu uso como meio de transporte, mais relevante que o status de um diploma de nível superior e a conseqüente vida “segura” de um cidadão bem ajustado socialmente e trajando um figurino (terno e gravata) de um papel social respeitável, está o seu espírito de aventura, e seu desejo de experienciar a natureza selvagem. 


O PROCESSO DE EXTERIORIZAÇÃO


       No seu último relacionamento antes de partir para o Alaska, o protagonista tem um breve embate com um velho, que sentindo-se solitário, pede para o protagonista esquecer seu “sonho maluco” e desempenhar o papel de filho, neto, sobrinho - ou algo do gênero, ao conviver com ele. Por ter seu pedido negado, o velho chora e se recente por não ter conseguido juntar uma “coluna invisível” de seu mundo de outrora, que teve a conversação encerrada com o falecimento de sua esposa.

O PROCESSO DE OBJETIVAÇÃO

       Por não se sentir culpado ao transgredir valores sociais – que pode se resumir na desobediência e não aceitação das expectativas que os pais esperam dele, o protagonista foge do controle social apagando seu rastro documental para que a polícia – ao ser acionada pela família, não o encontre. Ele evita o confronto da força social fundamental (família), mas para juntar dinheiro – em seu propósito de ir ao Alasca, ele se rende às forças sociais TEMPORARIAMENTE, arrumando um emprego.

       Também por não se sentir culpado ao transgredir valores sociais – ou/e por ter o desejo pela aventura maior que o medo da autoridade/repressão, o protagonista desce de caiaque por um rio sem a licença, que só lhe seria outorgada no período de anos. 

       Peter Berger sentencia: “A não ser que ele exista em loucura solipsista, saberá quanto vai dessas fantasias à realidade de sua vida efetiva na sociedade, que lhe prescreve um contexto comumente reconhecido e se lhe impõe sem tomar conhecimento de seus desejos”. Esta objetividade coercitiva da sociedade, seja material ou não-material, da qual o Peter Berger nos tenta mostrar é relativa nos dias atuais, e certamente esta relatividade vem desde a época em que o sujeito escrevera “O Dossel Sagrado” (anos 1980). Diferente do que ocorria antes da sofisticação dos mercados na transformação de comportamentos em associabilidades a produtos e serviços, hoje se alguém quer tomar atitudes individuais, peculiares, diferentes do padrão vigente, este comportamento será cooptado e associado a um bem mercantil, para potencializar as vendas ou agregar valor a uma marca. 

       Os grupos de poder de nossa sociedade da informação (do conhecimento?) não enfrentam o indivíduo ou grupos recalcitrantes, não tem o mínimo interesse de querer “pô-los na linha”. Pois o que lhes interessa são as atitudes e impactos que determinados sujeitos possam a vim causar na arena do embate midiático com concorrentes diretos e indiretos. É claro que existe os países medievais onde a observação do Berger pode até ser aplicada (Irã, Coréia do Norte, Talibã e coisas do gênero em célere processo de extinção), mas o que ocorre de fato nos tempos atuais é que se o sujeito quer viver na selva como um animal, na natureza selvagem, o problema é dele, visto que só irão se importar com isso quando alguém ver a OPORTUNIDADE de tornar aquele fato peculiar de um indivíduo (que está longe de ser inédito), e que ainda teve a “ótima idéia” de anotar tudo ao longo do processo, transformando num livro, ganhar uns “tubos” e depois mais ainda ao vender os direitos para a produção de um filme da indústria audiovisual mais relevante de nosso tempo.


       Por mais que os familiares possam ser contra e que policiais sejam designados para capturar o recalcitrante, a objetivação material ou a não-material ocorre para os perseguidores, mas não para o perseguido – conforme é mostrado segundo a concepção do Sean Penn. Esta idéia fica mais clara quando ouvimos a irmã do protagonista reconhecer ao longo do filme que o irmão estaria a realizar a sua “lenda pessoal”, ou coisa do gênero, e por isso o fato dela ficar triste ou desejar o seu retorno era algo tolo e sem sentido. Depois disso a objetivação da instituição família se esfacelava, mas o roteiro é tão mal construído que mais na frente da historia o diretor coloca o pai do protagonista chorando, meio que perdido no meio de uma estrada, causando no público um sentimento dúbio, visto que a irmã já havia se conformado com a ída sem volta do irmão, da desistitucionalização familiar daquele membro que até pouco tempo “interpretava razoavelmente bem o seu papel social”.  

        
O PROCESSO DE INTERIORIZAÇÃO


       Tendo em vista a declaração de Peter Berger que “o mundo é mantido como realidade subjetiva pela mesma espécie de conversação, seja com os mesmo interlocutores importantes ou com outros novos (cônjuges, amigos…). Se essa conversação é rompida (o cônjuge morre…) o mundo começa a vacilar, a perder a sua plausibilidade subjetiva”. Podemos concluir que no momento que o protagonista do filme se diplomou (formalidade social) e decidiu a partir dali se dedicar a sua aventura, ele iniciou um processo de diminuição da conversação, que se intensificou com a sua chegada ao Alaska e culminou no estabelecimento/fixação no “Magic Bus”. Mas entendendo plausibilidade como linguagem, percebemos que isto ele não perdeu nem mesmo quando estava debilitado fisicamente, pois mesmo doente continuou a escrever e/ou tentar ler.   

       A ação nomizante do protagonista do filme se faz quando ele toma o “Magic Bus” como casa, limpa-o, organiza-o de forma a utilizar seus espaços para repousar utensílios e também se proteger de eventuais “selvagerias” maiores que o frio. 

Obrigado ao professor Eládio Oduber 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crítica de “O Instante Decisivo” de Henri Cartier-Bresson


       É interessante perceber que Cartier-Bresson ao mencionar os filmes do cinema considera-o de forma contundente: “eles me ensinaram a ver”. Essa relevância da 7ª arte em sua obra fica evidente, mesmo ele sendo um repórter-fotográfico os seus enquadramentos tem uma dimensão poética, que ultrapassa o mero registro monótono do cotidiano, ou a frivolidade de uma ação típica de paparazzi. 

       Estar alerta para tirar fotos como que um “flagrante delito” demonstra uma atitude real de um artista, que está em sintonia com o universo, percebendo coisas que a amioria das pessoas não enxerga, passando batido, aquilo que muitos poetas notam mas o cidadão comum ignora por ter preocupações cotidianas, e o artista não, ele está “ligado” nestas pequenas coisas da vida, por isso dizem que eles são como loucos, que estão no “mundo da lua”. Infere-se daí a necessidade do artista ter um tipo de suporte para o exercicio de sua profissão, e no caso o Bresson tinha (“uma pequena mensalidade permitia que eu me virasse”).

       Como todo bom francês com razoável acúmulo intelectual (os melhores filmes franceses são aqueles onde há no máximo grunhidos: “A Guerra do Fogo” do Jean Jaques Arnoud) Cartier Bresson passa toda a parte deste texto explanando papagaiasticamente sobre o óbvio: que a fotografia é a estagnação do movimento, pois a foto é um instante da vida, e a vida é ininterrupta, mas foto cria-nos a ilusão que ela parou em algum momento, etc, blá-blá-blá, etc. Prefiro o contrário, no que ocorre no cinema, onde o fluxo das imagens é indispensável para a constituição desta arte, e a partir da imitação da vida neste fluxo imagético se conta historias, reportagens, documentagens… mas nos poupa destas firulas de extrair teorias a partir de algo que no meu entender deveria ser simples e notório. E o pior ocorre quando ele começa a lamúria que permeia a vida de 10 em cada 9 artistas inserido dentro da indústria cultural (comunicação de massa): “… algumas vezes corre-se o risco de se deixar moldar pelos gostos e necessidades da revista.” Parei aqui. Como produtor já ouvi isso trocentas vezes! Chega de mais do mesmo!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Troque o seu Cachorro por Uma Criança Pobre


       Qual é o motivo que leva as pessoas a buscarem um animal de estimação? A falta de afeto? A falta de tato com os outros seres-humanos? O desejo de ser amado, ou/e de receber atenção? De ser levado “a sério”?

       Cavando mais fundo este buraco: qual é o motivo de termos tantos animais abandonados? Afinal de contas eles são dóceis e obedientes (o melhor amigo do homem?), e também alguns protegem e são valentões (pit bull, Hot Valley, doberman, pastor alemão, gansos), por que então eles são abandonados após terem sido adquiridos? Foram achados, foram buscados e aceitos após doação, e alguns foram até comprados e mesmo assim são abandonados – segundo a UIPA pelos motivos mais estapafúrdios, sendo curioso o caso de uma pessoa que não queria mais um hott valley porque ele não era tão bravo e feroz quanto o dono imaginara.

       Esse fenômeno social mereceria um documentário cômico-trágico.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A TEORIA DO PONTO E VÍRGULA



Qual será a outra língua no mundo que há esta pausa tão distinta e miraculosa? afinal de contas o “ponto e vírgula” não encerra o período, a frase ou a oração de um pensamento, mas também não é uma pausa simples como a vírgula, ela tem uma duração um pouco maior. É diferente. É estranho.

Já li alguma coisa sobre o ponto e vírgula em gramáticas. Mas o que me importa aqui é este lado místico do sinal, no qual eu creio que é uma exclusividade da língua portuguesa, mais uma peculiaridade de sua estrutura, algo que deve está intrinsecamente relacionado com a cultura lusitana, na qual herdamos também.

Já ouvi falar que os portugueses sempre foram um povo, digamos… permissível… talvez maleável. Certamente não tão maleável como o brasileiro – de onde vem nossa vantagem de se adaptar tanto entre gregos como troianos, mas suficientemente maleável ao ponto de está com atitudes mais próxima do oriente do que do ocidente, ser mais exotérico do que racional.

Parece que entre os outros povos as coisas e as idéias são mais diretas: ou é sim, ou é não; pronto, acabou. Não tem essa disso poder ser aquilo ou vice-versa; nani, nani, nani! O preto é preto, e o branco é branco, mas por aqui existe algo como o pardo. “pardo”?! que lugar do mundo tem essa cor?! Só aqui mesmo no Brasil. Bem, mas o assunto não é o Brasil, o lance é a língua portuguesa e o seu miraculoso “ponto e vírgula”.

Nesta noite me veio isso sei lá por que?!? O “ponto e vírgula” me pareceu mais prosaico do que de costume, e olha que praticamente eu não o uso. Me lembro agora que quando estava começando a me familiarizar com a leitura li em algum lugar que este sinal era complexo demais para ficar se usando indiscriminadamente, daí que brochei com ele. Mas sabe, ele anda me atraindo muito nos trabalhos que venho desenvolvendo, nas historias que venho escrevendo, e até nos sonhos que venho tendo. É estranho, mas o ponto e vírgula está cada dia mais presente, vibrando intensamente, ofuscando minha mente, como que querendo quebrar a casca do ovo e sair para do casulo, ver a luz, nascer…

Eu em!… Eu tô é ficando doido!
Mas não é mesmo estranho este sinal de nossa língua-mãe? O ponto e virgula é uma espécie de meio termo, uma pausa com um tempo próprio. Ele pede que paremos um pouco- não o suficiente para uma respiração, mas suficinete para… porque logo a idéia terá continuidade e daí haverá a conclusão… ou não. Talvez seja um elemento da língua próprio para confundir, esta pausa maior que a vírgula que também não é um ponto – e por isso mesmo não encerra nada, talvez seja um caprichoso elemento de confusão, de embaralhamento das coisas, algo típico da cultura lusitana – e também brasileira, na qual não se deve ser rigido demais numa posição, apesar de tê-la, promovê-la e professá-la. É a ambigüidade. Acho que é isso, o ponto e virgula é um sinal de AMBIGUIDADE. E é também um sinal dos tempos, o sujeito que começa ter a idéia fixa de usá-lo, precisa de tratamento.

Deve ser por isso que um dia alguém falou: não queira saber tudo, é perigoso.

sábado, 9 de janeiro de 2010

FILOSOFIA É OU NÃO É CIÊNCIA?



Tendo em vista que você considerou errada a minha resposta para a primeira questão da prova - “PARA VOCÊ O QUE É FILOSOFIA?”, tenho algumas considerações a tecer, tomando como premissa a sua colocação que julgo ter determinado o erro da minha resposta: “filosofia não é ciência”.

Se Filosofia é ou não ciência, isso é uma questão para se debater e se concluir conforme as capacidades de argumentação e de poder de influência das partes interessadas no embate, tendo em vista que o que determina que algo é ou não uma ciência está relacionado a aspectos mais políticos do que propriamente de uma investigação metódica sistemática de objetos empíricos ou não, vide o caso do surgimento de certas “ciências humanas” – como a sociologia, que só galgaram este status após serem defendidas por pessoas que alem de pesquisarem e sistematizarem conhecimento sobre um fenômeno social específico, também empreenderam atividade de influência (lobby) no seio da academia, no propósito de a terem – e naturalmente a financiarem - como um conhecimento de caráter científico. Ocorre que a consideração de algo ser ou não uma ciência também depende de aspectos culturais, visto que a numerologia pode ser uma ciência para certos povos, e para outros não passar de mero passa-tempo de gente arredia e “desocupada”.

A natureza da pergunta se dirige ao interlocutor de uma forma passiva, não inserindo no texto nenhuma ordem de comando prévia, da qual poder-se-ia pressupor que a indagação exigiria da resposta idéias que diferi-se da compreensão que o educando tem sobre o assunto.
A pergunta se comporta de forma a procurar saber o quê o educando particularmente considera ser a filosofia (PARA VOCÊ...). Se a resposta está entendível ou não, entendo que isto poderia ser considerado o fator de CERTO ou ERRADO, mas jamais através da minha sentença inicial “É a ciência que selecionou, sistematizou…”. Dizer que algo como a filosofia é ou não é uma ciência está mais no campo do gosto pessoal e – como já citei, nos contexto de disputa que o termo pode ser usado para os fins dos mais diversos.

Respondi que a filosofia PARA MIM “É a ciência que selecionou, sistematizou…” porque ela sempre me foi apresentada – desde o ensino médio, de maneira semelhante às outras matérias correlatas, tendo seus fundadores, os desenvolvedores e seus explanadores (professores) com as provas para auferir o conhecimento absorvido sobre os assuntos, como em todas as outras ciências. Ao mencionar a presença de questões do tipo “quem somos?” e “de onde viemos?” para exemplificar seu funcionamento, acho até que eu poderia está errado aí pela restrição de algo que pode ser encontrado em aspectos mais pragmáticos da vida, e não necessariamente só existencial. Mas neste caso eu estaria – pelo menos, meio certo.

Para citarmos um exemplo de como a filosofia pode ter o significado moldado conforme o interesse e contexto do pensador, vamos a alguém que é comum a nós pela recente obra que fomos obrigados a ler para… para… aprender a pensarmos?…
“…Tenho o sentimento oposto quando leio o código de Manu, uma obra incomparavelmente mais intelectual e superior; seria um pecado contra a inteligência simplesmente nomeá−lo juntamente com a Bíblia. É fácil ver o porquê: há uma filosofia genuína por detrás dele, nele próprio…”


Viu como o nosso adorável alemão relaciona o termo filosofia? Pelo texto não é difícil concluir que uma lei, um código, o código de Manu, é para ele algo como uma filosofia, seja lá o que este algo for; porque, convenhamos, filosofia pode ser para uns uma lei, uma religião, uma arte, uma técnica, uma linguagem, e para outros apenas uma desculpa para embasar e justificar um discurso de engabelamento dos menos providos de percepção intelectual.

Para Nietzsche filosofia pode ser uma lei, para mim é uma ciência, e a pergunta como está na prova estaria indiferente e ao mesmo tempo satisfeita com a posição de ambos. Não é mesmo?

P.S.: se filosofia não é uma ciência, por que o Ministério da Educação ao lançar o novo ENEM coloca esta “matéria” enquadrada na prova de CIÊNCIAS HUMANAS, onde também se encontram Sociologia, Historia e Geografia?

A PALAVRA CORINGA DA LÍNGUA PORTUGUESA



Por Roberty



A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA . Esta palavra de origem francesa MERD pode mesmo ser considerada um coringa da língua portuguesa.
-Vejam porque com os exemplos a seguir:
1) Como indicação geográfica 1: Onde fica essa MERDA ?
2) Como indicação geográfica 2: Vá a MERDA !
3) Como indicação geográfica 3: 18:00h – vou embora dessa MERDA .
4) Como substantivo qualificativo: Você é um MERDA!
5) Como auxiliar quantitativo: Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!
6) Como indicador de especialização profissional: Ele só faz MERDA.
7) Como indicativo de MBA: Ele faz muita MERDA .
8)Como sinônimo de covarde: Seu MERDA !
9) Como questionamento dirigido: Fez MERDA , né?
10) Como indicador visual: Não se enxerga MERDA nenhuma!
11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido: Por que você não vai a MERDA?
12) Como especulação de conhecimento e surpresa: Que MERDA é essa?
13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo: Ele está na MERDA…
14) Como indicador de ressentimento natalino: Não ganhei MERDA nenhuma de presente!
15) Como indicador de admiração: Puta MERDA !
16) Como indicador de rejeição: Puta MERDA!
17) Como indicador de espécie: O que esse MERDA pensa que é?
18) Como indicador de continuidade: Tô na mesma MERDA de sempre.
19) Como indicador de desordem: Tá tudo uma MERDA !
20) Como constatação científica dos resultados da alquimia: Tudo o que ele toca vira MERDA !
21) Como resultado aplicativo: Deu MERDA .
22) Como indicador de performance esportiva: O Framengo e os Vascainos não
estão jogando MERDA nenhuma!!!
23) Como constatação negativa: Que MERDA!
24) Como classificação literária: Êita textinho de MERDA sô!!!
25) Como qualificação de governo: O governo LULA só faz MERDA !
26) Como situação de “orgulho/metidez” : Ela se acha e não tem “MERDA nenhuma! ”
27) Como indicativo de ocupação: Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!
Retificando
25) Como avaliação de governo: FHC só fez MERDA!