segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

MARIA ANGULA

No ano de 2002 participei da oficina “Cinema Trash 2”, ministrada pelo jornalista, pesquisador e crítico cinematográfico Sérgio Moriconi. Foram discutidos a História deste suposto gênero cinematográfico, visto muitos filmes que se enquadrariam na seara (“A Volta dos Mortos Vivos”, “Fome Animal”…) e se discutido bastante o motivo daqueles cineastas fazerem aquilo, se era algo proposital ou se era resultado de desleixo estético, má formação profissional, ou a tão proeminente falta de recursos materiais e humanos que tanto assola todos nós. Pois bem: espontaneamente algumas pessoas começaram a cogitar que poderíamos com poucos recursos fazermos filmes semelhantes àquelas “porcarias” que víamos no projetor do Teatro de Bolso do Espaço Cultural da 508 Sul. E mais: poderíamos fazer o filme com uma câmara digital simples que algum aluno de nossa turma nos emprestaria, e tendo como atores as próprias pessoas do curso. E foi o que ocorreu. Dividimo-nos em 3 grupos, cada um apresentou seu roteiro em sala de aula. Eu mesmo fiquei responsável em adaptar um conto popular (ou seria uma lenda urbana?) que nos remetia aquela velha história da mulher misteriosa do cemitério que na verdade era uma alma penada ou algo mais ou menos assim… o título era “Maria Angula”. Gravamos em dois finais de semana – sem dúvida nenhuma os dias mais relevantes para mim naquele modorrento 2002 – e com muita dificuldade conseguimos editar o conteúdo, e colocamos em uma fita cassete VHS.


O grande desalento de toda esta peripécia é constatar que o filme jamais veremos outra vez, visto que a fita se perdeu, principalmente porque na época não havia nenhum YOUTUBE ou outro site do gênero, apesar de já haver internet a algum tempo. Não podendo postar e deixar armazenado nossa obra coletiva, acabamos tendo um pouco aquele sentimento de frustração, que certamente deve ter desanimado muitos de nós, jovens que por ventura gostariam de fazer cinema, e certamente gostariam de ter aquele material, nem que fosse para ser analisado por alguém que levasse em conta mais o potencial do que o resultado final alcançado. Eu mesmo só voltei a filmar 3 anos depois, nesta época até pensei vagamente que nunca mais faria CINEMA.


O incidente que fez o filme – que no caso era uma fita VHS, desaparecer foi muito pitoresco. A fita na qual o conteúdo final fora armazenado após a edição já havia sido usada (sim, levamos até as ultimas conseqüências uma das premissas do gênero: produção tosca e rebuscada, beirando e caindo no mais puro e autêntico desleixo). Um dos atores se prontificou a passar para uma fita virgem o material (será que iria fazer alguma diferença na qualidade de imagem e som este “procedimento tecnológico”?). este ator interpretara o coveiro da produção, e era o responsável pelo fio da narrativa, a única lógica perceptível naquela sucessão de situações irreais, fantasmagóricas e descabidas. Para o nosso infortúnio o ator reclamara que não havia ficado “muito bem”, que tinha tido uma performance sofrível, etc. Ora, este era o espírito da coisa, não havia – pelo menos para mim, nenhum motivo de se sentir menos por está interpretando mal num filme trash, afinal de contas este é um dos pilares do gênero, as interpretações sofríveis estão para o cinema trash assim como as explosões estão para os filmes de ação. Mas para o nosso ator – que na verdade era um pintor, isso deve ter deixado grilado, tanto que a fita chegou as mãos dele, e com ele era desapareceu, para todo o sempre.


É, a vaidade sim é que é trash.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

BAARÌA – Giuseppe Tornatore


Fui ver a abertura da “V Semana Veneza de Cinema”, que conta com a seleção de obras italianas exibidas na 66ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza, e o filme de abertura era esta película que aparenta ser uma autobiografia do diretor siciliano.


Nem me lembrava mais de “Cinema Paradiso” - o filme que projetou internacionalmente o cineasta, a não ser reminiscências da música, da poesia inocente, as peraltices do protagonista infantil, e o onipresente lirismo da cinematografia italiana; e todos estes elementos estéticos estão também em BAARÌA, com o grave porém de que agora Tornatore não é mais um quase iniciante que fez um eficiente filme dramático quase artesanal e que agradou a academia de Hollywood, não. Desta vez ele fez um filmão tipo blockbuster, mas absolutamente esquecível, comum, descartável.

Percebe-se claramente que dinheiro não faltou, a produção é luxuosa, e os atores deve ser o melhor que a Itália tem atualmente, pois todos, incluindo naturalmente as crianças, são ótimos. E com a exceção de 2 ou 3 cenas hilárias, onde a veia cômica dos atores se expressa magistralmente, o filme é uma chatice muito bem fotografada, com um excesso de musiquetas melosas que cansa os ouvidos de qualquer um, com cenas de melodrama típica de novela colombiana, ou até pior. Se não, vejamos…

O filme inicia com uma rápida sucessão de seqüências num vilarejo perdido numa região agrária da Itália, posteriormente saberemos ser a cidade natal do diretor, Bagheria. Estas seqüências são um misto de piada, demonstração da exploração social da classe trabalhadora, aspectos políticos e culturais do período fascista e muitas cenas escatológicas, nas quais eu destaco a que um homem ergue uma pesada viga de ferro nos dentes, e a grotesca comilança de um sanduíche, no qual um adulto enfia goela abaixo a baguete na boca de uma criança… para quem acha que isso é tudo deve preparar o estômago, pois mais na frente vai ocorrer coisa pior.

E o que falar das cenas de Plano Geral onde o povo aparece quase sempre correndo ou reunido num comício político? Todas cansativas desde o primeiro take, nenhuma se impõe necessária à narrativa, mesmo aquela em que ocorre porque os americanos chegaram na cidade e os poderes constituídos foram depostos, gerando uma onda de saques ao dito “patrimônio público” de Bagheria, é visivelmente dispensável, mesmo havendo uma piadinha no término, que nos faz sentir muita pena a utilização grandiosa de recursos para provocar algo menor que cócegas.

O ponto central é que o filme não tem uma linha narrativa definida, tem um protagonista mas não tem força dramática, não sabe se quer fazer-nos chorar ou sorrir (se tentou fazer as duas coisas ao mesmo tempo fracassou), e as cenas líricas são no mínimo clichê, clichê para quem sabe o mínimo de cinema italiano, onde sempre aparece as crianças deslumbradas com sua imaginação fértil, as agruras juvenis com os adultos da famíglia, as aventuras sexuais ingênuas da juventude, a máfia, a beleza apesar da pobreza… ora, já vimos tudo isso em Fellini, em Ettore Scola, em Rosselini, e até no dublê de ator Roberto Benigni.

Mas o pior de tudo é a pretensão política do diretor, querendo nos mostrar didaticamente que devemos participar da vida pública, exigir direitos, o cumprimento da lei, ir a luta, etc. Há uma seqüência das mais estapafúrdias e desacreditada que eu já vi em toda a minha vida de de observador eventual do cinema mundial, na qual o pai do protagonista no leito de morte balbucia suas últimas palavras enquanto espera a chegada do filho que está numa desapropriação de terra a lá MST: “A política é bela”, “a política é bela”… juro que eu esperava que o Roberto Benigni iria irromper a cena gritando “sim, é bela! A vida é bela! A Política é bela! O Belusconi é belo! Belíssimo!…” O diretor esqueceu o senso do ridículo.

Boa parte do filme é ocupada em mostrara as agruras de um camponês no seu processo de ascensão no partido comunista, este é o único fio condutor perceptível na história, e esta trajetória já pouco discernível é constantemente interrompida pra se mostrar uma piadinha (apenas 2 cenas me fizeram rir, incluindo a magistral tentativa de suicídio do irmão do protagonista), uma ceninha lírica, uma referência às crenças italianas que muito se assemelha às crendices de nós brasileiros, e assim o filme ocupa duas horas e meia enfadonhas, apesar da vibração.

Isso mesmo, o filme é vibrante, você quase acredita que está diante de mais uma produção hollywoodiana de ação, daquelas que tiros e explosões só cessam pra mostrar a bandeira estadunidense. Tem muita música, panorâmicas, Planos Gerais, gente correndo pra lá e pra cá, isso tudo é cinética, não é ação dramática, é movimento, não é emoção. Tornatore pisou na bola, gastou um dinheirão pra mostrar apenas que agora tem acesso a uma verba na qual ele usaria melhor se recriasse uma versão underground de “Cinema Paradiso”. Pelo menos teríamos a chance de rever algo que narrativamente funcionou, e não esta tentativa de expurgar traumas do passado através de uma cinebiografia exageradamente romanceada e ególatra.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

MICROCONTO sobre canção de Caetano Veloso



"Antes Assim do Que Viver Pequeno e Bom"

Nasce mais um desvalido nesta favela de convalescidos, economicamente todos perdidos, o que lhe restou de oportunidade foi o assalto, o roubo, a mediocridade e o infortúnio… o infortúnio de escolher logo eu, cantor popular renomado e admirado, sensível e um pouco mimado, extravagante mas sempre preocupado, atento às condições sociais do populacho, que diferente de mim não teve chances de se redimir, por isso veio até aqui, apontou a arma e sentenciou: perdeu! 
“Antes assim do que viver pequeno e bom”, diz ele com o treizoitão apontado pra minha testa, e eu cá comigo lembrando que aqui não é o Haiti. E se um dia ele fosse ver o Oludum na festa do pelô… E se um dia ele visitasse a casa de Jorge Amado… Não, ele não tem acesso, ele é um excluído, ele foi preterido, suas condições socioeconômicas são incompatíveis com a exigência educacional que precisa de alguém relativamente com bagagem cultural pra freqüentar o ambiente escolar e aprovado for por decorar ou colar na prova ótimo, passou, passar bem, nada mais. Ou se então excesso de auto-constrangimento do espírito pra se submeter e aprender o que os outros consideram o certo e o errado, sempre mostrando que o lado dele é o errado, a cor dele é errada, e que pessoas de sua raça – os pretos e os quase pretos que lotam os presídios, tem um papel social a cumprir de faxineiro à segurança, de vigia a trabalhador doméstico do lar doce lar do senhorzinho… ta bom, passar bem então. foi aí que eu entendi a sua exclamação: “Antes assim do que viver pequeno e bom”.
E a ele eu indaguei se conhecia o planeta Terra nas suas mais deslumbrantes erupções telúricas, perguntei-lhe sobre os leõezinhos – tão bonitinhos entrando no mato, e sua juba, perguntei-lhe sob os cachos das acácias e ele balbuciou, e também balançou, balançou a cabeça reclamando tonteira por ouvir tanta asneira vinda de uma pessoa só. Exigiu o dinheiro e que durante a ação eu ficasse calado, pois ele tem o estômago sensível e aquele papo é por demais desagradável. Eu, no orgulho fora metralhado, por aquelas palavras sinceras de um favelado, que diante de mim queria apenas uns trocados, pra poder ter o pão do dia e o crack pra curtir um “barato”, um barato que vai sair caro, pois ele vai morrer e todos vão esquecer de suas soberanas palavras ditas de espontâneo alto e bom som: “Antes assim do que viver pequeno e bom”.
E pouco antes dele partir tive a pretensão de lhe atingir, de súbito algo relembrei, uma estrofe funesta que um dia criei, elaborada sem pretensões revolucionárias, apenas uma insinuação bombástica, eu não apenas falei, eu gritei: GENTE NASCEU PARA BRILHAR!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A TELEVISÃO QUE NOS DEIXA BURRO DEMAIS

do leitor Sergio, do blog VI O MUNDO

A nossa imprensa é burra, muito burra demais
Eles mentem tanto que neles não acredito mais
Suas manipulações me deixaram desconfiado pro resto da vida
Agora meu dinheiro com eles não gasto, prefiro uma bebida

Ô cride, fala pra mãe
Que a Globo, a Veja e a Folha apoiaram a ditadura
Que enquanto uns morriam eles enchiam a burra
Ô cride, fala para mãe

A Folha disse que não houve ditadura, que nada
Foi uma Ditabranda e que só deu umas porradas
É que nossa imprensa é suja, muito suja demais
Eles querem seus aliados no poder para dinheiro ganhar mais

Ô cride, fala pra mãe
Que a Folha cedeu peruas para o DOPS dar umas escapadas
Que destes passeios muitos inocentes não voltaram para casa
Ô cride, fala pra mãe

A Veja e Mendes inventaram um grampo sem audio, que indecente
Tudo isto era para salvar Dantas e derrubar o presidente
É que nossa imprensa é golpista, muito golpista demais
Manipulam debates, eleições e pesquisas, isto eu não admito jamais

Ô cride, fala pra mãe
Que a Globo apoiou e enriqueceu na ditadura
Enquanto uns apanhavam eles disfarçavam na cara-dura
Ô cride fala pra mãe

Que o PIG está fazendo de tudo para fazer Serra presidente
Assim eles vão por a mão no dinheiro público com unhas e dentes
É que nossa imprensa é hipócrita, muito hipócrita demais
Fala em ética e moral, mas não as usam jamais

Ô cride, fala pra mãe
Que a Folha inventou uma ficha policial falsa da DILMA
Que não colou, então eles arrumaram um encontro com a LINA
Ô cride, fala pra mãe

Tem jornalista que vende uns pulhas como se eles fossem demais
Assim rola uma propina aqui, outra ali, e eles assim ganham mais
É que nossa imprensa é corrupta, muito corrupta demais
Por dinheiro protege os amigos e os outros esculhamba demais

Ô cride, fala pra mãe
Que eu já cancelei todas as minhas assinaturas
Vê se faz o mesmo criatura!

Ô cride, fala pra mãe
Que o PIG é uma doença sem cura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura
Ô cride, fala pra mãe!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O SEGREDO DA MAIOR BILHETERIA DA HISTÓRIA DO CINEMA


10 anos depois de ter visto este potente filme me ponho em condições de escrever uma crítica, um relato de minha experiência diante da grande obra.
Em 1998 eu estava muito ocupado trabalhando 44 horas por semana como office-boy de um hotel e concluindo o 1º grau no supletivo, e considerava que TITANIC era mais um filme arrasa-quarteirão (e era mesmo! só que tinha ALGO MAIS) feito para idiotas comedores de pipoca e bebedores de refrigerantes em salas escuras que passavam a maior parte do tempo conversando do que fruindo diante da projeção, uma atitude totalmente contrária a minha, que entro num cinema como quem vai a um templo religioso ter algum tipo de contato metafísico.
Achando que era mais um entretenimento de quinta categoria eu achava graça quando via as reportagens na TV sobre as filas diante dos cinemas, as matérias jornalísticas (ou seriam publicitárias?) diabeticamente açucaradas sobre o pintoso par romântico da trama, e diversos trailers promocionais disfarçado de curtos documentários, onde mostravam como fora feito os inovadores efeitos especiais daquele que era mais uma prova para nós tupiniquim de que CINEMA era coisa americana, mais precisamente uma coisa hollywoodiana. E aquilo só piorava a condição de meu ãnima, pois na época eu estava com minhas aspirações artísticas totalmente encobertas pelas necessidades imediatas, me auto-escamoteando, quase convencido que o fazer cinema não era pra um quase-excluído como eu, morador de um país periférico, onde o cinema brasileiro que se produzira e tinha repercussão na época ou era feito por um filho de banqueiro (Central do Brasil) ou por funcionária de alto escalão da Rede Globo (Carlota Joaquina, Princesa do Brasil). Não foi fácil!
Foi este preconceito acompanhado de uma falta de tempo considerável e ainda a proeminente condição de poucos recursos financeiros que me levou a não ir até o cinema para ver aquilo que eu julgava ser mais um entorpecente que a grande indústria cinematográfica do planeta produzira para que incautos cidadãos se esbaldassem e esquecesse por alguns minutos suas vidinhas de classe média, mediana, medíocre, meia-boca. Não ter visto TITANIC na tela grande é uma das coisas que mais me arrependo em termos de apreciação estética.
TITANIC, como grandes produções da história da cinematografia mundial, foi um filme pensado para ser grande, para ocupar espaço vasto, como “Guerra nas Estrelas”, “E.T.”. como tantos outros esta produção também foi desenvolvida para conquistar milhões dementes e corações, em todo o mundo, em todo o lugar onde houvesse a possibilidade de platéia com os recursos para a aquisição dos ingressos. E como estes que eu já citei ele conseguiu o seu intento, só que ele foi o maior, e talvez estas minhas considerações a respeito ajude a compreender o porquê.
James Cameron desenvolveu na sua narrativa a perspectiva de dois gêneros: o romance de época e o filme catástrofe, usando de todos aqueles componentes indispensáveis para o bem-sucedido modelo de negócio da indústria hollywoodiana: o Star System (jovens beldades celebridades encabeçando o elenco) e efeitos especiais que só podem ser apreciadas com melhor deleite apenas os conteúdos produzidos para a mídia CINEMA (a fotografia na telona e o som surround). Nisto ele faz com maestria. Desde o início do filme até o momento onde ocorre o Ponto de Virada para o Clímax do último ato – o choque do navio com a ponta do iceberg, transcorre uma eficiente narrativa de um Out Sider, um bacana que entra de boa no navio, que diferente da letra da música do Herbert Viana - apesar de ter entrado de gaiato, ele não entrou pelo cano (apesar de que ele vai ficar preso em um mais adiante na trama) “se engraçando” com uma moça de “boa família”, ela que está sendo forçada a adentrar num relacionamento a contra-gosto, em nome do bem estar material da família, principalmente da sua mãe (ou era tia?), algo tocante e que poderia render bastante momentos dramáticos, mas que o roteiro corretamente não se atem, visto que o foco do drama ali é outro, Camaron sabe muito bem por onde este rio tem que correr, e ele e seus colaboradores roteiristas souberam dosar, expondo o estritamente necessário sobre a personagem da Kate Winslet.
A partir do momento que o relacionamento dos dois é efetivado, nós temos uma recompensa sensacional: a cópula do casal protagonista é a consumação de um desejo nosso que fora perfeitamente construído pela empatia provocada mais pela situação das personagens em seus contextos do que propriamente a performance das “estrelas”, efeito que poderia ser conseguido com qualquer outro ator e atriz de modesta categoria. Nós ficamos felizes com eles terem se amado, mas a aventura romanesca dá uma pausa aí. Se o filme terminasse aqui poderíamos ter mais uma obra romântica, um draminha até razoável se tomarmos como parâmetro as trocentas porcarias que agente ver por aí. Seria uma aventura lírica tendo o mar como pano de fundo e como cenário o maior navio de todos os tempos. Tenho certeza que a maior parte do público feminino já se daria por satisfeito se os créditos subissem após o choque com o iceberg e o afundamento sem demora da nau. Mas é aí que começa o filme de verdade, não apenas a parte mais dramática e consistente da história, aquilo que fez milhões de pessoas adorarem e propagarem boca-a-boca que o filme era “supimpa!”, mas aquela mais prenhe em signos do nosso inconsciente coletivo.
A parte catástrofe do filme começa com a batida na montanha de gelo submersa, e se desenrola de maneira magistral, com eventos de uma originalidade espantosa, sendo que a principal nos remete a diversos significados, conceitos e paradigmas de um mundo que houve, que há e que ainda teima em permanecer: a divisão e condição material das pessoas pela sua atividade profissional. A partir do momento que percebemos que a população dos subterrâneos (melhor simbologia social impossível) ficou presa em suas dependências tendo a água do mar invadindo velozmente seus aposentos, pondo em perigo e morte eminente todos eles, e ainda a provável escapatória do pessoal lá de cima, dos membros da classe dominante nos poucos botes salva-vida que há disponível, sentimos aquele sentimento de revolta, de insulto, de desejo por um levante, e ele vem, e sabe quem são os heróis deste “Proletariado Uni-vos”? sim, eles próprios. Mal estão recuperados da trepada já embarcam nesta puta empreitada, tomam o partido daqueles “mal-nascidos” e procuram salvá-los, os dois, arriscando suas próprias vidas, arriscando a perda de tudo, inclusive a ascensão social de um, já que a mocinha da trama estava prestes a receber uma espécie de dote se subisse com os sovinas e escapasse compartilhando o conforto e a indiferença da burguesia.
O que mais é necessário para que nos apaixonemos pelo casal? Aqui não é mais uma questão de empatia, pois o que sentimos com a criação desta situação dramática é a mais pura simpatia pelas aqueles jovens “pombinhos” de caráter e atitude, tentando o que aparenta ser impossível. É sensacional! A partir daqui nós iremos torcer pela imortalidade dos mesmos, querendo que vivam felizes para sempre, até mesmo na pobreza e na riqueza, na doença e na saúde, e em tudo o mais que o padre mandar. É a partir deste momento da trama e até o fim que os olhos dos espectadores do mundo inteiro começaram a brilhar radiantemente.
Se já não bastasse estarmos embevecidos com tamanho heroísmo dos protagonistas, ainda temos o deleite de observar uma situação poética das mais lindas na história do cinema: a cena em que os músicos param a canção instrumental no meio do tumulto, vão aos poucos deixando a música para também começarem a correr feito loucos como estão fazendo todos, e de súbito um deles se recusa a ser mais um “maria-vai-com-as-outras” e retorna para o mesmo local da performance e volta a tocar a canção, e logo é compreendido pelos outros músicos, que retornam e voltam a acompanhá-lo na suave melodia, mostrando num só golpe que apesar do perigo eminente o importante é fazermos aquilo que amamos. A arte acima de tudo, era este o significado por trás da encenação. É arrebatador!
Daí por diante agente vai acompanhar a efetividade dos efeitos especiais de um filme catástrofe, potencializada com o fato de que nós estamos torcendo para que o casal protagonista – que a esta altura nós o consideramos seres virtuosos e merecedores das maiores honrarias que por ventura há no mundo daquela época, escape sãos e salvos. Por fim nós não consideramos piegas (pelo menos eu não achei) aquele ato “cavalheresco” da personagem do Leonardo Di Caprio em deixar que a moça ficasse sobre o objeto enquanto ele congelava lentamente. Aliás, esta foi uma das mortes mais “bonitinha” da história do cinema, totalmente correta dentro do contexto do gênero filme de amor, onde o rapaz se despede da amada indo para o outro mundo com um aspecto belo, limpo, quase blasé, algo que importa muito para os gostos médio da mulher ocidental, pois não tenho dúvida que foi esta mesma que impulsionou e fez o natural boca-a-boca para tornar aquele filme a maior bilheteria de cinema da história.
Em pensar que James Cameron era um caminhoneiro… mas não um caminhoneiro qualquer. Ele era um caminhoneiro inventivo que desmontava os motores dos caminhões, e depois foi desmontar as câmaras de vídeo, e depois desmontou esta tragédia histórica, e a transformou neste filme de época fascinante, comovente, alem de ter remontado e incrementado o gênero romântico. A história é recheada de camadas subterrânea de heroísmo, que nos fez ficar hipnotizado pela ação dos protagonistas, muito mais do que pelos efeitos especiais, algo que sobrava no seu insosso e também marítimo “O Segredo do Abismo”, uma ficção-científica que não tinha nenhum segredo, mas um vistoso e explícito fracasso de narrativa cinematográfica.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

CENTOPEIA

Ah, esse filme. Vi sua estréia no Cine SESC São Luis, no centro de Fortaleza. Era julho de 2008, e eu estava de volta a capital cearense para dar continuidade a um projeto meu na área de cinema que fora contemplado pelo Fundo de Cultura  do Estado, que havia sido lançado em 2006, teve o tramite burocrático em 2007, e só teve a grana liberada em 2008, quando o projeto que fora aprovado já tinah perdido o seu ímpeto de quando a ideia havia nascido. Isso alem de desrespeito aos produtores é uma calamidade! Deveria ser proibido tamanha demora, mas como o proprio MinC demora cerca de 1 ano pra liberar recursos de projetos tamitados, selecionados, aprovados e com dinheiro empreenhado... não tem como reclamar pois o exemplo da ADM pública maior é uma verdadeira porcaria!

Mas enfim... Fui ver o primeiro longa-metragem de Sci-Fi do Ceará, dirigido por Daniel Abreu

segunda-feira, 13 de julho de 2009

macaquiada a la Lula



O governo lula está formando uma equipe de 5 pessoas especificamente para estabelecer a comunicação pelas mídias digitais (blog, twitter, youtube). Além dos assessores de imprensa que lidam com as mídias tradicionais (jornal, revista, TV, rádio), haverá este grupo pra lidar com estas novas formas de mídia, mas que também são repassadas para os meios móveis digitais (celular, notebook, iPhone, etc.). Um dos grandes motivos para a adoção desta estratégia de comunicação estaria justificado pelo fato de alcançar um público jovem que – supõem, se informa predominantemente por este meio. Mas é claro que é mais um modismo seguido cegamente por nossa elite amacaquiada, que tudo copia do estrangeiro superior (antes a França, hoje os EUA) sem nem questionar ou deferir breve reflexão, naquela ãncia de mostrar serviço a qualquer custo, o intuito de reconhecimento e/ou promoção, tenho certeza.
Após a eleição de Barak Obama, muitos destes “doutos” das comunicacionais que deve fazer parte do séquito do ex-torneiro mecânico e hoje presidente do Brasil varonil, acharam que parte do sucesso do americano do Havaí fora o fato dele ter usado com mais intensidade e abrangência este meio para ganhar as mentes e os corações dos estadunidenses.
Esquecem que o fundamento deste sucesso estava na equipe jovem (Adam Frankel, 26 anos e Ben Rhodes, 30 anos) que assessorava o candidato, e que teve como maior exemplo o redator de 27 anos Jon Favreau , responsáveis pelos flamejantes discursos do mais peculiar presidente da historia americana.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

É TRISTE, MAS O SER-HUMANO é PROPRIEDADE PRIVADA




Está na lei. É a justiça quem determina, se não fosse por força legal o menino - Sean Goldman de 9 anos, não teria sido “condenado” a retornar para os EUA para – mesmo contra sua vontade, como informa o padrasto – ter que viver com o pai biológico.
Todos os entendidos na interpretação “fria” da letra legal considera a decisão de encaminhar – via sedex? – o menino de volta ao pai o mais correto.
Que coisa! Somos coisas?! Pois uma das características das coisas é que elas ganham este status a partir do momento que elas tem um dono, alguém que a reivindique, alguém que lhe dá a condição de propriedade privada. Assim estão fazendo com este menino, tratando-o como uma coisa, um pedaço de pau, com menos dignidade que um abajur, seja ele lilás ou não, arranhado ou não, esburacado ou não.
Eu imagino esse menino daqui a uns 4 anos, no apogeu da adolescência… terás motivos de sobra para potencializar estados emocionais difusos (depressão, euforia, depressão…), causando diversos problemas para si e para o “vitorioso” pai, aquele que tinha a patente de propriedade do menino – a certidão de nascimento estadunidense, e conseguiu a sua “guarda”. É triste, e dói reconhecer: continuamos a nos tratar como coisas, propriedade uns dos outros, material a ser contabilizado antes de ser considerado como possibilidade imanente de liberdade.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eugênio Bucci em 26/5/2009



Ser professor é procurar enxergar no aluno a força interior que o instiga, o que o leva adiante, o que o faz acreditar que vale a pena viver da palavra, da notícia, da informação, do contato com tanta gente, gente com histórias tão surpreendentes. O aluno é a razão de ser do professor. O resto não importa. Respeitar o aluno – sua história, seu modo de encarar o futuro – é tudo. O aluno não pertence ao professor. Antes, o contrário.
Infelizmente, temos visto turmas e mais turmas feridas pelas "desilusões perdidas", desilusões dos outros, em ambientes que não cultivam o orgulho próprio, que não cultivam a confiança na enorme diferença que uma história bem contada pode fazer no destino de uma pessoa, de uma comunidade, de um país.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O CINEMA ITALIANO (E ITALOAMERICANO)



Foi interessante saber que no início o cinema italiano (junto com o francês) era o mais visto do mundo. E eu suspeito que na verdade eles ainda não perderam este posto. Se tomarmos como referência toda a influência da cultura italiana para a 7ª arte, como também a competência dos diversos profissionais do setor que trabalham em seu país ou/e pro cinema de Hollywood, teremos que admitir a permanência desta “supremacia itálica”, se não em números, pelo menos em parâmetros estéticos.

Grandes filmes e profissionais italianos foram responsáveis cruciais pela consolidação do cinema como o principal meio de entretenimento do século XX. Frederico Fellini, Bernardo Bertolucci, Dario Argento, Roberto Rosselini, Ettore Scola, Sergio Leone, os irmãos Tavianni, Visconti, Antonioni, e todo o pessoal do realismo; mas principalmente – por causa do aporte econômico mais consistente e, os profissionais italoamericanos, como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Brian de Palma e outros, que com suas obras emocionaram públicos das mais diversas nacionalidades, tornando obras como 8 e 1/5, O último imperador, Suspiria, Ladrões de Bicicleta, Feios Sujos e Malvados, Era Uma Vez na América, Cinema Paradiso, Blow-Up, O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros, Vestida para Matar em referências audiovisuais de influência para todas as mídias atuais e vindouras.

Há algo na obra destes filhos da mama que nos toca profundamente, diferente de outras escolas estéticas o que se sobressai dos filmes deles é algo ambíguo, uma proximidade afetiva intensa, delicada e ao mesmo tempo uma capacidade de criar enredos e/ou desenvolve-los de um modo que criamos empatia com os mais monstruosos protagonistas: nós nos compadecemos com o drama da família Corleone, e nem nos importamos com as vilanias que eles cometem; nós choramos a perda do amigo de um dos bons companheiros, apesar que este que fora morto ter matado e violentado muitos com crueldade ímpar; nós ficamos perplexo com a poesia latente da favela onde feios, sujos e malvados tentam se manter mal e porcamente, ludibriando e extorquindo uns aos outros; nós aprovamos o roubo da bicicleta e torcemos pelo pai-de-família tentando recuperar a ferramenta de trabalho e a sua dignidade diante do filho. Em todas estas grandes obras uma aura poética pela inevitabilidade e conseqüências da tragédia, que certamente deve ser uma herança da dramaturgia grega, que fora sabiamente assimilada pelo império romano naqueles tempos remotos e que até hoje é bem trabalhada pela cultura do povo da velha bota, e que nos serve para nos comover e perceber a sabedoria daquele ditado popular: quem ver cara não ver coração. Também no cinema as aparências enganam.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Até para a morte urge-se um pouco de coragem



Ele até tentou, ele até treinou: por diversas vezes nos dias e noites anteriores ficou saltando da cadeira, mas naqueles momentos de treinamento ele não havia ainda armado o cadafalso. Agora, tendo a corda diante de si, não é tão simples quanto pular, é preciso coragem para pôr a cabeça na forca e para a morte saltar.
Ele constata que até para cometer suicídio é necessário um mínimo de bravura, mas bravura foi o que lhe faltou durante toda a sua vida, e bravura lhe falta outra vez, nesta hora, a hora de transgredir, a hora de executar… de se matar.
Ele pensa em pedir ajuda, mas sente vergonha só em pensar como os outros poderão julgá-lo após saberem que sua vida foi um fiasco, e que até para se suicidar, ajuda de terceiros ele precisa para dar o último passo. Ele desiste, não vai pedir auxílio. Só lhe resta o desespero de sentar-se na cadeira, curvar o corpo e chorar.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

AUTOR: Miguezim de Princesa

I

Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II

Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III

Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV

Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V

O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI

Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII

É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII

Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX

Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X


E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Palavras Inocentes? Será que elas Existem?


Palavras inocentes? Não existem. Escolhas implicam juízos. Muitas reforçam preconceitos. A jornalista inglesa Mona Baker, do Translator, analisou vocábulos empregados na cobertura do conflito Israel X Gaza. Provou que a mídia que se diz imparcial é pra lá de parcial. Vale ler o texto.

Doze regras de redação da mídia internacional quando o assunto é Oriente Médio
FONTE: blog da DAD
1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Essa defesa chama-se "represália".

2) Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isso se chama "terrorismo''.

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama ''legítima defesa''.

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama ''reação da comunidade internacional''.

5) Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama ''sequestro de pessoas indefesas''.

6) Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e 1.000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter sequestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isso se chama ''prisão de terroristas''.

7) Quando se menciona a palavra Hezbollah, é obrigatória a mesma frase conter a expressão ''apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã''.

8) Quando se menciona Israel, é proibida qualquer menção à expressão ''apoiada e financiada pelos EUA''. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões ''territórios ocupados'', ''resoluções da ONU'', ''violações dos direitos humanos'' ou ''Convenção de Genebra''.

10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre ''covardes'', que se escondem entre a população civil, que ''não os quer''. Se eles dormem em casa, com a família, a isso se dá o nome de ''covardia''. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama "ação cirúrgica de alta precisão''.

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama ''neutralidade jornalística''.

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são ''terroristas antissemitas de alta periculosidade''.

sábado, 8 de novembro de 2008

Um Surto de Dignidade Varre a Humanidade

1. Ocorreu um surto de dignidade na humanidade, se espalhou de maneira incontrolável, os governantes nada puderam fazer, os lideres religiosos apenas aumentaram o seu discurso apocalíptico e arrebanharam umas centenas de idiotas seguidores e foram para as florestas rezar, o sistema financeiro parou e a banca caiu fora com os depósitos dos idiotas que acumulavam, os donos das corporações recorreram aos maiores publicitários e marketeiros do mundo, mas nenhuma idéia de acomodamento funcionou, mesmo se gastando milhões para o lançamento da campanha em escala global, o efeito foi de uma marolinha. Era o surto de liberdade humana plena e não-retornável a condição de escrava que até a pouco tempo imperava. Ninguém mais se submete a nada, a inteligência veio para ficar nas mentes e corações humanas de todo o planeta de maneira definitiva e irrefreável. Agora apenas a criatividade e a liberdade dos indivíduos é o que determina a lei.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

BATE NELE, RUBINHO!!!


Ah esse Rubinho!!!


Eu lembro bem daquele domingo de fórmula 1 de 2002. Ele estava em primeiro lugar, atrás – e bem atrás, vinha o já 4 vezes campeão Michael Schumacher, numa segunda posição que lhe daria a possibilidade de continuar lutando pelo título daquele ano, que aliás ele conquistou.

E já estava o comentarista da TV globo se preparando pra gritar “...E vence Rubinho”, na ultima volta, no dia das mães, quando de repente percebe-se que o carro está lento, lento na ultima volta, com a música do Sena já tocando, e o "imponderável" acontece: Schumacher ultrapassa Rubinho após ele sair da frente pro outro passar, na ultima curva, e eis que vence aquele grande prêmio de fórmula 1 o alemão, com o Rubinho chegando em segundo lugar após liderar quase toda a prova.


O comentarista ficou espantado, num sabia o que dizia - se sim se não, se não sesim, pois foi na ultima curva, pegando-o... digamos assim: “desprevenido”. E toda a torcida brasileira que já estava comemorando ficou de queixo caído com aquela sacanagem anti-desportiva, talvez a maior da historia (até provarem que o título da Argentina em 1978 e o da França em 1998 não foram “cartas marcadas”).


Eu mesmo fiquei perplexo. Acompanhava o evento num clube, por uma TV colocada próxima a churrasqueira, com todo mundo se divertindo, biritando e comendo churrasco e achando o máximo aquela que vinha sendo uma ótima corrida do piloto brasileiro. Mas então veio aquele balde de água fria e ele, docilmente, obedecendo ao chefe (ah esta coja de gente obediente que deixa o mundo tão feio!), deixa o alemão passar e fica em segundo lugar, deixa de vencer para obedecer uma ordem estapafúrdia, pois o piloto alemão já estava bem a frente do segundo colocado na classificação geral da competição de pilotos daquele campeonato, e conquistou o título daquele ano com uma folga enorme, do qual os 2 pontos que ele ganhou a mais pela aquela cagada antidesportiva num acrescentou em nada, pelo contrário, sujou para sempre a sua carreira e a da FERRARI. Mas mesmo assim, o maior culpado por toda aquele decepção foi o próprio Rubinho Barrichelo.


Ora, ele poderia ter ignorado a ordem, afinal de contas ele é um piloto de fórmula 1 e o que um piloto durante uma corrida faz é essencialmente procurar vencer o grande prêmio, ou não? Ou o importante é competir bem durante todas as voltas do circuito para vim outro que – de bandeixa, recebe a posição do competidor que seria o vencedor na última curva? mas não, o rubinho deixou o outro passar por obediência às ordens estratégicas vindas da direção da equipe... que bosta! Isso não é esporte!!!


Aquela ação do rubinho manchou para sempre a sua carreira, mas isso pode ser esquecido se nesta sua última disputa (ninguém mais quer o veterano) ele... lembrem-se: outra vez a decisão é todinha dele. A ação vergonhosa daquele dia das mães de 2002 pode ser esquecido se ele, observando os apelos da torcida brasileira e para o bem da nação (é piegas, mas todo apelo é válido neste momento, ele precisa saber que estamos todos unidos neste prosaico dia dos finados) bater no Hamilton, tirando-o fora da corrida, impossibilitando o piloto inglês de marcar sequer 1 pontinho, e o título vá para o Felipe Massa, um sujeito que – até onde eu sei, tem um pouco de dignidade competitiva, desportiva, e por isso merece ser ele o primeiro piloto brasileiro de fórmula 1 campeão do mundo após o inigualável - esse sim ídolo, Airton Senna.


É por isso que engrosso o coro:

BATE NELE, RUBINHO!!!